Opiniao

Falta uma rainha ao ténis mundial

Serena Williams tem escondido uma realidade que se instalou no ténis feminino – o apogeu atinge-se entre os 20 e os 30 anos

Quando Martina Navratilova ganhou o torneio de Wimbledon em 1990 foi considerada um fenómeno por fazê-lo aos 33 anos. Desde então houve mais 12 Majors conquistados por jogadoras com mais de 30 anos.

Ter-se-á tornado banal? Não é bem assim. Desses 12 títulos, 10 foram assinados pela campeoníssima Serena Williams, a mais velha campeã na história do ténis profissional, ao triunfar no Open da Austrália de 2017, com 35 anos, 125 dias e... grávida.

As outras duas ‘trintinhas’ vencedoras de Majors foram Flavia Penetta no US Open de 2015 com 33 anos e Li Na no Open da Austrália de 2014 com 31 anos.

Serena Williams tem escondido uma realidade que se instalou no ténis feminino – o apogeu atinge-se entre os 20 e os 30 anos.

A chamada Era Open, ou seja, a abertura do ténis ao profissionalismo, celebra o 50.º aniversário. Foi no torneio de Roland Garros de 1968 que os profissionais puderam pela primeira vez participar num Major. Roland Garros de 2018 é o 201.º Major da Era Open.

Desde então houve 33 títulos de singulares femininos a irem para jogadoras com menos de 20 anos. Mas a última foi Maria Sharapova no US Open de 2006.

Também houve 24 Majors arrebatados por jogadoras com mais de 30 anos e 143 troféus erguidos por jogadoras entre os 20 e os 30.

Com Serena Williams a parar toda a sua atividade entre fevereiro de 2017 e março de 2018 para ser mãe e Maria Sharapova minada por lesões e alguma crise de confiança no regresso à competição, após uma suspensão de 15 meses por acusar positivo um controlo de antidoping, as ‘veteranas’ (23 Majors para a norte-americana e 5 para a russa) abriram as portas às mais jovens.

No circuito masculino o panorama é diferente porque Roger Federer, Stan Wawrinka e Rafael Nadal têm ganho Majors nos últimos anos com mais de 30 anos e na Era Open há mesmo sete jogadores que venceram pelo menos dois títulos do Grand Slam com mais de 30 anos!

Já no circuito feminino criou-se um vazio de poder. Não há uma rainha e nos últimos seis torneios do Grand Slam houve seis campeãs diferentes: Serena (Melbourne 2017), Ostapenko (Paris 2017), Muguruza (Londres 2017), Stephens (Nova Iorque 2017), Wozniacki (Melbourne 2018). Ostapenko tinha 20 anos, Muguruza 23, Stephens 24 (agora 25) e Wozniacki 27.

Esta série poderá continuar com uma sétima campeã distinta se Simona Halep vencer hoje a final de Roland Garros... mas será quebrada se Sloane Stephens repetir o triunfo de setembro no US Open.

Halep ostenta 26 anos, está no ponto para um primeiro Major, após três finais de Majors falhadas.