Amar(o) Mundial

Amar(o) Mundial. Trivelada de emoção!!

TRIVELA é um pontapé dado na bola com a parte exterior do pé, para criar um efeito de rotação à bola. Ricardo Trivela, que me perdoe o Quaresma, mas vai ter que mudar de nome! Alguém vai ter que fazer uma petição por favor.

Trivelas à parte, hoje foi dia de sofrimento, melhor dizendo, este grupo foi um sofrimento atroz!!! Muita emoção é verdade, muita imprevisibilidade, é verdade, mas acima de tudo muito sofrimento (demasiado) para todos, inclusivamente para os espanhóis que quase, miraculosamente no mesmo minuto que Portugal sofre o golo, eles chegam ao empate, garantindo o tão desejado 1.º lugar.

Em relação ao jogo, Portugal melhorou e dominou obviamente,  foi astuto e inteligente até aos 60 minutos, circulou muito mais rápido, foi muito mais objetivo a circular, procurando rapidamente “abrir” o campo e jogar no 1x1 desequilibrando e cansando o adversário - o Irão estaria preparado para um Portugal que circulasse a bola no corredor central de forma paciente e Fernando Santos trocou as voltas, juntando a isso um GIGANTESCO Adrien ( jogaço!!!), uma melhoria na pressão mais alta de William, um corredor central a defender melhor, proporcionando logicamente um ataque melhor.

Quaresma foi decisivo e a chave do desequilíbrio enquanto teve pilhas. Ronaldo falhou o penálti mas desequilibrou e assumiu mais, saiu do corredor central, forçou o 1x1 e o 1x2, acelerou e teve mais mobilidade; André Silva a fixar e Ronaldo a arrastar os adversários, falta mais contundência na área e resolver o “problema” do ala esquerdo; João Mário tem que fazer muito mas muito mais,  não basta classe é preciso jogar, acho sinceramente que Portugal  acabará a jogar com William, Adrien e Moutinho, Guedes, Ronaldo Quaresma com variantes entre o 4x4x2 e o 4x3x3.

Parabéns Irão, magnífico sob o ponto estratégico, conseguiu quase sempre esconder as suas debilidades e exponenciar as suas virtudes. Johann Cruyfft dizia: “ Olha sempre longe, o primeiro passe se possível é sempre para o jogador mais longe e perto da baliza”, o Irão levou à risca esta tese, bola esticada ao máximo, subida rápida dos médios e remate à baliza, sob o ponto de vista organizacional, tático e físico este Irão superou-se, que espetáculo!  E quase quase que dava...

Pragmatismo, eficiência, solidez e controlo têm que ser estes os pergaminhos, a espetacularidade vem depois, tem que ser assim necessariamente, esqueçam a conversa da posse, do jogo interior, do controlar do jogo. O grande objetivo dum jogo de futebol é marcar golos e não sofrer, os meios para se chegarem aos fins são muitos e sinceramente a conversa da posse e de controlar o jogo com bola já começa a ficar muito dzesinteressante... Que o diga o Uruguai, “querem bolinha? Querem jogo interior? Querem posse? Perfeito”. 

Não vá nessa cantiga engenheiro,  não vai porque o Mister sabe muito disto! Pela Pátria Lutar!