Opiniao

O regresso fortíssimo de Federer ao circuito

O próprio Federer tinha sido gigante no ano passado quando voltou à competição em janeiro e venceu sucessivamente o Open da Austrália, Indian Wells e Miami

O que Roger Federer fez antes de iniciar a defesa do seu título de Wimbledon é extraordinário.

Depois de não ter competido entre as segundas semanas de março e de junho, alinhar duas finais seguidas, vencendo a primeira e soçobrando na segunda em três sets, quando poderia tê-la ganho em dois, só está ao alcance dos predestinados.

Não é o melhor regresso de sempre à competição por duas razões: em primeiro lugar porque não se lesionou. Apenas decidiu, pelo segundo ano seguido, faltar à época de terra batida. Se deu resultado em 2017, porque não em 2018?

Em segundo lugar porque dificilmente alguém repetirá o que fez Rafa Nadal em 2013, quando, após uma paragem de sete meses, somou final em Viña del Mar, vitórias em São Paulo, Acapulco e Indian Wells, final em Monte Carlo, vitórias em Barcelona, Madrid, Roma, Roland Garros, primeira ronda em Wimbledon, vitórias em Montereal, Cininnati e US Open. Impensável: apenas três encontros perdidos entre fevereiro e setembro, com dois Majors e cinco Masters 1000 conquistados!

O próprio Federer tinha sido gigante no ano passado quando voltou à competição em janeiro depois de um hiato de seis meses e venceu sucessivamente o Open da Austrália, Indian Wells e Miami, pelo que não deveria ser uma surpresa o que assistimos nas duas últimas semanas, mas, caramba, o homem está a um mês de completar 37 anos!

Mais, fora do court, ‘King Roger’ foi atacado por alguns antigos campeões por ‘esnobar’ Roland Garros, o que elevava a pressão no seu regresso, para provar-lhes que estava certo.

É forçoso reconhecer que não vimos ainda o campeoníssimo com as melhores exibições. No ano passado vimo-lo atingir um Nirvana tenístico na final de Halle frente a Sasha Zeverev duas semanas antes de conquistar Wimbledon pela oitava vez.

É mais fácil quando tudo flui e as sensações competitivas se recuperam automaticamente. Há um ano venceu em Halle pela nona vez sem perder qualquer set, mas não foi isso a que assistimos nas duas últimas semanas.

Pelo contrário, este ano houve exibições medianas. Precisou de três sets para bater Misha Zverev e Nick Kyrgios no caminho para o seu 98.º título ATP de carreira em Estugarda.

E em Halle teve de salvar dois match-points frente a Benoit Paire, antes de perder na final diante de Borna Coric, um croata de 21 anos que já tinha batido antes Andy Murray e Rafa Nadal!

Estou seguro de que, por isso mesmo, irá ainda mais forte mentalmente para Wimbledon, onde será justamente o primeiro cabeça de série, mesmo tendo perdido esta semana o n.º 1 mundial para Nadal.