Sociedade

Presidente do conselho de administração do Hopital S. João ameaça demitir-se

Caso a verba para ala pediátrica não seja libertada pelo executivo, administrador poderá sair

 

António Oliveira e Silva, presidente do Conselho de Administração do Hospital de São João, no Porto, revelou que irá demitir-se caso o governo não liberte a verba relativa à construção da nova ala pediátrica  - que funciona há oito anos em contentores provisórios - dentro de um mês.

“Não quero que isto pareça uma espécie de chantagem ou pressão, mas a verdade é que a situação poderá ficar insustentável dentro de semanas”, confessou Oliveira e Silva ao “Jornal de Notícias”, durante a apresentação do livro “O Lobo Mau no Hospital” - cujo as receitas irão reverter a favor da ala pediátrica do hospital. António Oliveira e Silva disse ainda que está a ser “cada vez mais difícil gerir a situação”, reconhecendo que as condições  “são péssimas” e que estas não “deviam fazer parte do século XXI e de um Portugal que se diz europeu”.

“Até ao final da legislatura a obra tem é de estar já a decorrer e acredito que uma decisão favorável vai surgir nas próximas semanas”, adiantou o responsável, acrescentando que se  o cenário não mudar de figura, “a demissão é uma hipótese”.

A questão da falta de condições foi levantada pelos pais das crianças com cancro - que estão a receber tratamento naquele hospital - em abril deste ano.

Os pais tiveram “toda a razão pela forma como são tratados os filhos, assim como os profissionais de saúde que merecem melhores condições de trabalho”, considerou António Oliveira e Silva.

Segundo o “Jornal de Notícias”, após a denúncia feita pelos pais, o governo decidiu criar uma zona de ambulatório na zona das consultas externas, como uma solução temporária para o problema. 

Face a esta situação, o Ministério da Saúde revelou que a verba tinha de ser desbloqueada pelo Ministério das Finanças para que as obras arrancassem. Há cerca de duas semanas o governo anunciou que tal aconteceria até ao final da legislatura.