Uma volta à história pelas (pequenas) grandes invenções

Antes do papel higiénico, havia alfaces; as latas eram abertas com martelos, as barbas aparadas com lâminas de aço, as contas feitas com um ábaco. Eis as invenções e respetivos inventores de alguns objetos que se tornaram parte do quotidiano e nos quais nem atentamos, mas que mudaram a sociedade – agora reunidas em livro.

Abre latas

Inventor: William Lyman

Ano: 1870

Tal como o literal nome indica, o abre latas surgiu decorrente da necessidade de… abril latas. Curiosamente, foi preciso quase meio século após as conservas se popularizem para que alguém tivesse a ideia de inventar um instrumento capaz de facilitar a vida aos consumidores que, até então, tinham de recorrer a um cinzel e um martelo para chegar ao conteúdo. Depois de vários métodos e geringonças, o abre-latas que hoje conhecemos – uma «roda cortante que gira ao redor da borda da lata» – foi patenteado pelo inventor americano William Lyman em 1870 e aperfeiçoado nas décadas seguintes, tanto que hoje há abre-latas para pessoas canhotas.

 

 

Código de barras

Inventor: Joseph Woodland & Bernard Silver

Ano: 1952

Todos associamos imediatamente os códigos de barras aos tapetes de supermercados. E foi, efetivamente, uma cadeia de supermercados, que procurava um método mais simples para identificar os seus produtos, quem lançou o repto. Bernard Silver e Joseph Woodland, dois finalistas do Drexel Institute of Technology, aceitaram o desafio e depois de algumas tentativas falhadas apresentaram  uma combinação de duas tecnologias – o código Morse e as bandas sonoras dos filmes que resultaria, depois de vários anos de aperfeiçoamento, nos códigos de barras que hoje conhecemos. Mais uma curiosidade: o primeiro produto a ser lido foi um… pacote de pastilhas elásticas.

 

Escova de dentes

Inventor: H. N. Wadsworth

Ano: 1857

Na antiguidade, os chineses já usavam objetos semelhantes às escovas de dentes atuais, com cabos «feitos de osso ou de bambu e pelos de javali siberiano numa das extremidades». No século XVII, utensílios similares começaram a ser usados na Europa, mas em vez de pelo de javali eram usadas crinas de cavalo. Foi o britânico William Addis a lembrar-se de furar o cabo para inserir as crinas, mas a patente só é registada em 1857 pelo americano H.N. Wadsworth, a quem, legalmente, é atribuída a invenção. Em 1935, a empresa  norte-americama DuPont substitui as crinas pelos recém-inventados fios de nylon.

 

Gillete

Inventor: King Camp Gillete

Ano: 1904

Eis um exemplo de como o nome de um inventor ficou indelevelmente ligado à sua invenção: King Camp Gilette, um comerciante norte-americano que viveu entre 1855 e 1932. Juntamente com o engenheiro William Nickerson, fundou, em 1901, a empresa Gillete Safety Razor Company. Três anos depois, obtém a patente para as lâminas de barbear descartáveis. Ao longo da história, os homens usaram vários tipos de lâminas para se barbearem, incluindo lâminas de aço, que tinham que ser continuamente afiadas. Com as lâminas descaráveis inventadas por Gillete, o problema ficou resolvido.

 

Papel higiénico

Inventor: Seth Weeler

Ano: 1891

Viver sem papel higiénico é uma ideia que provocará um esgar de asco a qualquer pessoa que tenha crescido com acesso aos rolinhos – atualmente, grande parte da população mundial. Mas ao longo dos tempos os nossos antepassados tiveram de ser criativos e, além de pedaços de tecido, usavam as folhas que tivessem à mão – talvez por serem macias, as alfaces eram bastante concorridas. No século XIX, Gayetty terá sido a primeira pessoa a comercializar o papel higiénico nos EUA e os irmãos Scott também são muitas vezes indicados como os pioneiros neste campo. Contudo, a primeira patente foi registada por Seth Wheeler, em 1891.

 

Soutien

Inventor: Mary Phelps Jacob

Ano: 1914

Até há pouco tempo, pensava-se que  a revolucionária peça de roupa para a vida das mulheres, o soutien, tinha sido inventado pela francesa Herminie Cadolle que, em 1889, cortou um espartilho ao meio e batizou a parte de cima como ‘soutien-gorge.’ Mas Cadolle nunca registou a patente da sua invenção – foi a norte americana Mary Phelps Jacob, mais conhecida como Caresse Crosby, a fazê-lo, em 1914. A inventora registou o seu ‘Backless Brassiere’ – uma peça feita a partir da «união de dois lenços de seda com fitas cor-de-rosa e um cordão», que criou num ato de rebeldia contra espartilho. 

 

Calculadora

Inventor: William Burroughs

Ano: 1888

O primeiro instrumento de cálculo mecânico foi o ábaco, «que até podia ser usado para a extração de raízes quadradas. E 1624, na universidade de Heidelberg, é inventado o relógio calculador, o primeiro engenho mecânico para contar. Em 1642, Blaise Bascal inventou a primeira calculadora, usando uma série de rodas dentadas, que conseguia somar até oito colunas de números e também realizava extrações. Nas décadas seguintes as calculadoras são aperfeiçoadas até o inventor norte-americano William Burroughs patentear, em 1888, «a primeira máquina de somar para uso prático».

 

Estetoscópio

Inventor: René Laennec

Ano: 1818

O estetoscópio (que deriva das palavras gregas stethos, peito, e scopos, que significa exame) foi inventado em 1816 pelo cientista francês René Laennec. Antes de se aproximar do utensílio que hoje conhecemos, Laennec enrolou várias folhas de papel em forma de tubo, para amplificar o som. Depois, construiu o primeiro estetoscópio, que se desmontava em três partes feito de madeira. Depois do ceticismo inicial, os médicos perceberam que o engenho servia, efetivamente, para ouvir o coração e os ruídos dos pulmões. Em 1852 George Cammann, um médico de Nova Iorque, cria o estetoscópio flexível, que será a «base de todos os aparelhos desde então».