Economia

Huawei bate recorde em ano de polémicas

Em Portugal, a marca chinesa é líder de mercado. No total, em 2018, a Huawei exportoumais de 200 milhões de smartphones.

 

Considerada um perigo à segurança informática, foi bloqueada pelos Estados Unidos e está sob o olhar atento da Austrália, Nova Zelândia e Japão, que já anunciaram a retirada da corrida ao 5G. Mas o ano da marca chinesa ficou marcada por um recorde. Em 2018, a Huawei foi recordista de vendas e, em Portugal, é já líder do mercado de smartphones.

 No ano que está agora a terminar, a marca exportou mais de 200 milhões de smartphones e é já considerada a fabricante que mais cresceu, com um aumento de mais de 30% face ao ano passado. A marca aponta como causas para o sucesso as séries P20 e Mate20. Ainda sem números concretos e com a certeza de que a Europa e a China são os mercados que mais contribuem para este crescimento, a Huawei está convicta de que os telemóveis P20 são os preferidos das mulheres, que completam metade das 16 milhões de vendas dos modelos até agora. Já no que diz respeito aos Mate 20, lançados no mercado há pouco mais de dois meses, foram vendidos 5 milhões de unidades.

Em 2010, a marca acabou o ano com apenas três milhões de unidades vendidas. Ou seja, o volume anual de vendas cresceu 66 vezes desde então. No total, segundo um relatório da IPSOS, uma das principais instituições de pesquisa e inteligência do mercado, mais de 500 milhões de pessoas, em 170 países diferentes, possuem telemóveis Huawei. 

A chinesa deixa assim de estar à margem de grandes empresas e entra na corrida como uma das melhores do mercado. No segundo e terceiro trimestre do ano, a Huawei consegui ultrapassar a Apple, com 14,6% do mercado, e tornou-se na segunda maior fabricante de smartphones do mundo. Nesse mesmo período, viu as vendas crescerem um terço face ao ano passado. 

Agora, pela frente, tem apenas a Samsung, detentora de 20,3% do mercado, mas pretende destronar a empresa coreana já no último trimestre do próximo ano. O aviso foi deixado por Ken Hu, presidente da marca, na mesma conferência em que desafiou os Estados Unidos a provar que a marca está envolvida com a China em manobras de espionagem e que esta representa, efetivamente, uma ameaça à segurança.

Richard Yu, CEO da Huawei, encara o futuro com otimismo: «Olhando para o futuro, o negócio de consumo da Huawei incidirá sobre o conceito ‘consumer-centric’ e ousará continuar a inovar, esforçando-se para se tornar uma marca pioneira e líder na próxima revolução de smartphones, além de continuar a criar constantemente valor para os consumidores, permitindo que aproveitem melhor as suas vidas, tornando efetivamente a Huawei numa marca amada pelos consumidores de todo o mundo». 

Este ano, durante a visita a Portugal do Presidente chinês, Xi Jinping, a Altice e a Huawei assinaram um acordo com vista ao desenvolvimento da tecnologia 5G, a despeito da preocupação da União Europeia com a segurança da marca. Segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), ao longo dos últimos 14 anos a empresa investiu cerca de 40 milhões de euros em Portugal, e conta até com escritórios em Lisboa e com um centro de inovação e experimentação.