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Investigação: Estaremos perto da fórmula da eterna juventude?

Ansiada por muitos ao longo da História, a fórmula da eterna juventude pode, afinal, existir. É para isso que aponta um tratamento experimental em pessoas com uma doença pulmonar fatal, concebido para matar células velhas, segundo mostra uma nova investigação.

á muito que a espécie humana deseja ter uma fórmula para a eterna juventude. É possível encontrar referências a essa vontade já nas civilizações antigas, nas mais diversas expressões, desde a pintura à literatura. Agora, contra as dúvidas dos mais céticos, parece que, afinal, há mesmo uma receita para retardar o envelhecimento. Pelo menos, é nesse sentido que uma investigação de um conjunto de investigadores da Mayo Clinic e da Universidade de Wake Forest, no Estado norte-americano da Carolina do Norte, aponta.

De acordo com o artigo científico relativo ao teste experimental – que antecede os ensaios clínicos propriamente ditos – feito em seres humanos, publicado em janeiro na revista EbioMedicine, um grupo de 14 voluntários com doença pulmonar fez um tratamento com dois medicamentos para matarem células velhas. E os resultados do teste «dão de certa forma luz verde para partirmos para os ensaios clínicos», disse ao portal MIT Technology Review James Kirkland, um professor da Mayo Clinic que participou no teste experimental enquanto investigador. A equipa concluiu que nove doses dos dois medicamentos, dadas ao longo de três semanas, parecem ter melhorado a capacidade de os pacientes andarem uma distância maior no mesmo tempo. O teste revelou também melhorias noutros indicadores que determinam o nosso bem-estar.

Apesar do desfecho positivo, uma das preocupações da equipa eram as possíveis complicações e efeitos secundários que o tratamento podia provocar. «A minha preocupação é que não devemos avançar demasiado depressa, porque se há um erro ou alguma questão que nós não percebemos, isso pode provocar um atraso neste campo», confessou à mesma fonte Judith Campisi, professora Buck Institute for Research on Aging, na Califórnia. 

Ainda assim, no futuro, os investigadores planeiam experimentar o tratamento em pessoas saudáveis.

Na prática, o tratamento atua sobre as células senescentes, que esgotaram a sua capacidade de se dividirem mas continuam capazes de lançar uma forte mistura de sinais químicos. Ao portal MIT Technology Review, o especialista Nicolas Musi, diretor do Sam and Ann Barshop Institute for Longevity and Aging Studies na Universidade do Texas – e que também integra a equipa de investigadores –, explicou que se «acredita que estas células e as substâncias que produzem estão envolvidas no processo de envelhecimento. A ideia é que, removendo estas células, pode ser benéfico para promover um envelhecimento saudável e também para prevenir as doenças próprias do processo de envelhecimento».
Os participantes que aceitaram participar no teste experimental sofrem de fibrose pulmonar idiopática, uma doença fatal em que as células senescentes se desenvolvem nos pulmões. O mesmo teste previamente realizado com ratos mostrou que o tratamento eliminava essas células, levando a um aumento do tempo de vida saudável que os animais tinham.

Contudo, os medicamentos não significaram uma vida mais longa para os animais.

Depois do resultados esperançosos do teste experimental com humanos, os investigadores não planeiam ficar por aqui e deram já os passos seguintes para perceber se a terapia pode realmente ter efeitos de antienvelhecimento. Nicolas Musi explicou à mesma publicação que já foi iniciado um ensaio clínico em mais 15 pessoas com doença pulmonar. A par disso, investigadores da Mayo Clinic estão a testar a combinação dos dois medicamentos em 20 pessoas com doença renal crónica. «Se virmos sinais de eficácia e não encontrarmos efeitos secundários realmente graves, tentaremos chegar às pessoas com doenças com cada vez menor risco de vida». Se este será um ‘elixir’ da juventude ainda não sabemos, mas se, ao invés,  se mostrar um caminho para um envelhecimento cada vez mais sereno, a aposta já nos parece promissora.