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Aos sete anos, Emily Dover já passou pela adolescência. Agora, está na menopausa

Pesa 65kg, veste o tamanho 44 e teve de aprender a usar pensos higiénicos quando não tinha maturidade suficiente para compreender as mutações que o seu organismo começava a sofrer.

Quando tinha apenas dois anos, “começou a tornar-se uma mulher”, de acordo com a mãe, Tam Dover, citada pelo The Mirror. Esta é a história conturbada de uma criança australiana que, aos sete anos, experiencia um desenvolvimento anormal tendo em conta os parâmetros definidos para a sua faixa etária.

“Quando tinha dois anos, comecei a perceber que o peito estava a crescer. Aos quatro, teve a primeira menstruação” avançou a progenitora da menina residente em New South Wales que, atualmente, está a viver a menopausa. Ainda que a família faça o possível para que o quotidiano de Emily seja feliz, nem sempre é possível proporcionar-lhe momentos agradáveis: pesa 65kg, veste o tamanho 44 e teve de aprender a usar pensos higiénicos quando não tinha maturidade suficiente para compreender as mutações que o seu organismo começava a sofrer.

A criança, que tem duas irmãs sem quaisquer doenças, nasceu com quase 4kg e nada fazia prever que o seu crescimento ocorreria de forma diferente até que, aos quatro meses, aparentava ter um ano de idade. “Isto parte-me o coração. Ela parece ter 17 anos” explicou Dover ao Daily Mail, acrescentando que a menor está a ser seguida por variados especialistas e, há dois anos, a origem dos seus sintomas foi descoberta.

Emily padece da doença de Addison, um raro e progressivo distúrbio que se define por um mau funcionamento das glândulas supra-renais, ou seja, não produzem uma quantidade suficiente de hormonas que respondem ao stress (como a adrenalina) nem androgénios. Para além disso, também não estão a processar as proteínas, gorduras nem a glicose. Esta doença afeta seis em cada 100 mil pessoas. No caso da australiana, as consequências são um desenvolvimento sexual acelerado, a puberdade precoce, o autismo e o distúrbio do processamento sensorial – isto é, o cérebro tem dificuldade em receber informações relativas aos diversos sentidos.

Tam, que trabalha num escritório, e o seu marido, Matt, segurança, pagam o equivalente a cerca de 300 euros cada vez que Emily tem uma consulta. No entanto, a vida da criança é “repleta de hobbies e amigos” e, se fosse possível, os pais teriam “mais dez Emily’s”.