Carlos Chaves

O diretor do Instituto da Defesa Nacional

Espero que o sucessor de Vítor Viana resista à tentação tão portuguesa de mudar tudo

Dentro de pouco tempo terá lugar a rendição, por passagem à reforma, do atual diretor do Instituto da Defesa Nacional (IDN), major general Vítor Viana.

Este militar, que conheço há cerca de 50 anos, cumpriu uma vez mais com inexcedível competência as difíceis funções que lhe foram confiadas.

Com determinação, objetividade e rigor estabilizou a ‘casa’, limpou as ‘teias de aranha’ dos preconceitos, abriu as ‘janelas’ à modernidade e aos novos tempos, e colocou a instituição no lugar requerido e único.

Aliando os seus profundos conhecimentos e experiência a um relacionamento tranquilo, mas não subserviente, recuperou a missão principal, dinamizando o conhecimento que a Nação, o Estado e principalmente os seus quadros devem ter da Defesa e da Segurança.

Empenhou-se na ligação ao Ministério da Educação, vencendo barreiras e preconceitos, trilhando com resiliência um caminho de que, não tenho quaisquer dúvidas, em breve veremos os respetivos frutos.

É na Educação que tudo deve começar e, quando tal não acontece, temos pântano e caos.

No momento em que sai da direção – mas, estou certo, continuará a proporcionar a todos a riqueza dos seus conhecimentos –, devemos reconhecer o extraordinário valor do seu trabalho. E este deve ser honrado com uma boa escolha do sucessor.

É indiferente que seja ser um civil ou um militar, um homem ou uma mulher, o importante é que seja escolhida uma pessoa competente, interessada e disponível.

Concretamente, entendo que um diretor do IDN deve ter credibilidade académica e, cumulativamente, ser capaz de fazer ‘pontes’ com a instituição militar e de se relacionar com todo o espetro político, económico e social.

Se lhe faltar alguma destas características, não estará em condições de cumprir plenamente aquilo que dele se espera, pois não abarcará todas as áreas subjacentes ao larguíssimo campo da Defesa e da Segurança Nacional.

Aliás, até digo mais: sou a favor de que esta escolha/nomeação ocorra por decisão direta do Governo, assumindo este, de forma inequívoca, as suas responsabilidades, tal como acontece com a escolha dos chefes militares.

Sempre defendi os concursos para cargos dirigentes (através da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Publica – CReSAP), mas também sempre admiti exceções. E esta deveria ser uma delas.

Que os ‘deuses’ iluminem os decisores, porque o que está em causa é muito importante.

Que o sucessor resista à vontade atávica, tão comum entre os portugueses, de chegar e mudar o que está feito – e continue no mesmo rumo, reforçando-o e não alterando-o.

Em nome da Verdade, voltaremos no próximo número a escrever sobre o IDN – porque foi com enorme surpresa e admiração que, nos últimos dias, fomos interpelados por um cidadão responsável sobre o porquê de não termos incluído o IDN nos artigos em que tratámos do Ensino Superior Militar?!

Teremos, assim, oportunidade de responder. E analisar uma instituição da maior relevância para o presente e o futuro coletivos.

*Major-General Reformado