Economia

Barragens. EDP conta com três finalistas

Iberdrola, Statkraft e Verbund estão na corrida.

Os espanhóis da Iberdrola, os noruegueses da Statkraft e os austríacos da Verbund estão na corrida à compra das barragens da EDP. A informação foi avançada pela Reuters e garante que outras empresas, como a Enel (através da Endesa), a Engie, a Macquarie e a Brookfield também estiveram interessadas, mas não deverão passar para a próxima ronda. 

A Endesa já tinha admitido, no início de maio, que iria analisar a compra de ativos da empresa liderada por António Mexia. “Vamos analisar o plano de desinvestimentos da EDP à procura de eventuais ativos de produção [elétrica], como hidroelétricas em Portugal, que se podem encaixar na nossa posição estratégica”, chegou a revelar o presidente executivo da empresa, José Bogas, mas ao que tudo indica, não deverá avançar.

Também a Iberdrola tinha mostrado o seu interesse por querer reforçar o investimento em renováveis e redes nos países onde está presente, e Portugal não será exceção. Quanto à compra de novos ativos, como as barragens da EDP, garante que “considera sempre todas as opções”.

A EDP revelou, em março deste ano, durante a apresentação do seu plano estratégico, que o reforço na energia renovável e a venda de ativos é a estratégia da EDP até 2022. Só em Portugal e em Espanha, a empresa pretende encaixar mais de dois mil milhões de euros nos próximos quatro anos.

As contas são simples: a EDP prevê uma geração de recursos financeiros de 12 mil milhões de euros nos próximos quatro anos, ou seja, 2,9 mil milhões de euros por ano, dos quais sete mil milhões serão canalizados para novos investimentos. Cerca de 75% do investimento previsto para os próximos quatro anos será em energias renováveis, sendo os Estados Unidos o principal destino (40%), seguidos pela Europa (35%) e o Brasil (25%). Ao mesmo tempo, a elétrica acredita que irá distribuir três mil milhões de euros em dividendos e usar cerca de dois mil milhões de euros para baixar a dívida até 2022.

A par desta venda, a elétrica prepara-se para acelerar o modelo de rotação de ativos, estratégia que tem vindo a concretizar nos últimos anos e que irá permitir um encaixe de quatro mil milhões de euros.

O novo plano estratégico foi anunciado após a apresentação dos resultados referentes a 2018: uma queda dos lucros de 53% para 519 milhões de euros. A operação em Portugal apresentou prejuízos de 18 milhões de euros – pela primeira vez desde o início da privatização, em 1997. A elétrica justificou este resultado com o forte impacto da elevada fiscalidade e das decisões regulatórias adversas.