Internacional

Hungria, um país a crescer

Ministro dos Negócios Estrangeiros e Comércio explicou durante o evento Inspiring Hungary por que razão vale a pena investir naquele país.

«A Comissão Europeia devia pôr os olhos na Hungria e ver o que aqui está a ser feito». O aviso foi deixado por Peter Szijjarto, ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria durante as conferências Inspiring Hungary, organizadas pela Agência de Promoção de Investimento na Hungria (HIPA). Foi durante este evento que o governante explicou o porquê de este ser o novo país ideal para investimento estrangeiro, anunciando algumas medidas aliciantes para quem está a pensar arrancar com um negócio na Europa Central.

Um dos focos da intervenção de Szijjarto foi a tecnologia. O ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio explicou que a criação de novos postos de trabalho não será um critério obrigatório para a candidatura a subsídios estatais de apoio a novas empresas, frisando que o objetivo é «fortalecer o desenvolvimento tecnológico no país».

Assim, desde o passado dia 1, quem quiser investir na Hungria terá direito a algumas regalias: «A competição para atrair investimento estrangeiro tem sido feroz em todo o mundo. Por isso, a Hungria irá introduzir um esquema para atrair investimento tecnológico. O governo irá apoiar investimentos que tragam novos desenvolvimentos nesta área e acrescentem valor aos empregos já existentes», explicou Peter Szijjarto.

De acordo com o responsável, só no ano passado, foram realizados 98 investimentos estrangeiros no país, num total de 4,3 mil milhões de euros, que resultaram na criação de 17 mil empregos. Este ano, já foram investidos 2,4 mil milhões de euros – a maior parte do dinheiro veio da Coreia do Sul, um país conhecido pela aposta na tecnologia.

 

Um crescimento próspero

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio, a economia húngara está bem e recomenda-se. E muito por causa das aplicadas pelo governo liderado Viktor Órban, defende o responsável. «A Hungria estava à beira do abismo. Quando chegámos ao governo, em 10 milhões de habitantes, apenas 1,8 milhões de pessoas pagavam impostos. Além disso, a taxa de desemprego andava nos 12,5%», descreve Peter Szijjarto. Agora, a taxa encontra-se nos 3,4%.

«No ano passado, pela primeira vez em muito tempo, houve mais emigrantes a regressar à Hungria do que a sair», frisa o ministro. «Sem sobrecarregar a economia, temos conseguido nos últimos três anos diminuir os impostos às empresas para que estas apostem no aumento dos salários e contratem mais pessoas. E, claro, para ter impostos baixos, é preciso ser rigoroso no orçamento do Estado, o que tem acontecido», acrescenta o responsável, desvendando o objetivo ambicioso deste governo: «queremos estar acima do crescimento médio da União Europeia».

Nos últimos anos, o governo de Viktor Órban tem sido alvo de vários artigos de jornais pouco abonatórios. A questão da lei dos escravos – legislação que aumenta o número de horas extraordinárias por ano, que podem ser pagas num prazo máximo de três meses – ou os problemas com os refugiados e com a Europa são temas que têm feito correr muita tinta. Peter Szijjarto diz que a Hungria está sob um constante «ataque político», que denigre a imagem do país.

«A Hungria é retratada como uma ditadura, mas a verdade é que este resultado é de eleições. Criticar a Hungria e a sua estabilidade é desrespeitar o povo húngaro. Estamos sob um ataque político, mas felizmente quem quer investir aqui vem cá ver com os seus próprios olhos como funcionamos e não baseia as suas opiniões nos jornais e nas televisões», afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio.

«Não liguem aos media, olhem para os números do nosso desenvolvimento económico. Fazemos as políticas certas. Aqui todos são respeitados independentemente da sua nacionalidade. Só queremos que cumpram a lei», frisou.

 

‘Vale a pena apostar na Hungria’

Durante a sua intervenção, o ministro das Finanças húngaro, Mihaly Varga, fez questão de expor uma série de números que, segundo o governante, mostram como a Hungria é «um país onde vale a pena viver, trabalhar e criar famílias».

«Temos uma economia estável, com o crescimento a ultrapassar os 4%, níveis de défice baixos e uma taxa de desemprego a baixar», explicou o responsável pela pasta das Finanças.

Varga frisou que Budapeste «protege» quem investe, ao implementar impostos mais amigos dos investidores, fomentando, ao mesmo tempo, uma «competitividade mais forte», com uma aposta no aumento da produtividade, na digitalização e na inovação.

Recorde-se que, em 2018, a Hungria foi o país que mais cresceu em termos percentuais (4,9%) na União Europeia. No primeiro trimestre deste ano, o crescimento económico foi de 5,3% – a Hungria foi o país cujo Produto Interno Bruto (PIB) mais subiu face aos primeiros três meses de 2019. No verão, o governo de Viktor Orban anunciou mais planos de estímulo à economia, prevendo um crescimento no ano que vem de 4%. Economistas citados pela Euronews mostram-se mais pessimistas e apontam para um aumento de apenas 3,3%.