Sociedade

Braga. António Salvador e Mesquita Machado negam conspiração no alargamento de lugares de estacionamento pagos

António Salvador, atual presidente do Sporting Clube de Braga, e Mesquita Machado não admitiram qualquer tipo de conspiração, negando mesmo serem amigos, referindo que as relações entre si “foram sempre foram institucionais”, já que Mesquita Machado foi também líder do clube de Braga.

Joaquim Gomes
Joaquim Gomes

António Salvador e Mesquita Machado começaram, esta quinta-feira, a ser julgados, no Palácio de Braga, pela alegada conspiração no alargamento do número de lugares de estacionamento pago na cidade de Braga.

No julgamento está em causa o concurso, ganho pela Britalar, que era para 1.172 lugares. Porém, um dia antes da celebração do contrato de concessão, a Câmara de Braga decidiu entregar à Britalar mais 1.147 lugares, com o alargamento do estacionamento pago a mais 27 ruas do centro da cidade.

António Salvador e Mesquita Machado foram acusados de crime de prevaricação, por um suposto favorecimento à empresa de estacionamento à superfície ESSE, detida por António Salvador. O empresário, que é também presidente do Sporting Clube de Braga, e Mesquita Machado não admitiram qualquer tipo de conspiração, negando mesmo serem amigos, referindo que as relações entre si “foram sempre foram institucionais”, já que Mesquita Machado foi também líder do clube de Braga.

Mesquita Machado, referindo-se ao negócio do alargamento de lugares pagos à superfície na cidade de Braga, que permitiram um encaixe imediato de quatro milhões e cem mil euros, pagos pela ESSE à Câmara Municipal de Braga, reiterou hoje perante o Tribunal Coletivo, ter sido “o que fiz foi na plena convicção de que estava a defender os interesses do município”, acrescentando que “se fosse hoje voltava a fazer o mesmo”.

António Salvador disse que “a Câmara Municipal de Braga, essa sim, é que foi claramente beneficiada com o alargamento”, disse António Salvador, desmentindo qualquer tipo de conversas prévias com Mesquita Machado.

“A Câmara de Braga estava com dificuldades de tesouraria e decidiu então avançar para a concessão do estacionamento, inspirando-se no exemplo da Câmara do Porto”, na altura liderada por Rui Rio, atual presidente do PSD.

Tudo porque, na versão de António Salvador, “com esse negócio adiantamos receitas”, no montante de mais de quatro milhões de euros, sendo que “os problemas de tesouraria ficaram resolvidos”, bem como o notório défice de fiscalização dos parcómetros, então assegurada pela Polícia Municipal de Braga, enquanto com os fiscais da empresa ESSE as receitas aumentaram brutalmente. 

Além do mais, segundo afirmaram ambos, “a possibilidade de alargamento do número de lugares de estacionamento pago à superfície constava no próprio texto do concurso”, ao mesmo tempo que Mesquita Machado sublinhou “ser amigo dos responsáveis das outras duas empresas que concorreram e não ganharam a concessão”.

Mesquita Machado disse que não integrou logo os referidos lugares para alargamento no concurso, porque “não quis hipotecar” a gestão do estacionamento e do trânsito na cidade, ficando a Câmara Municipal de Braga sem qualquer poder nessa matéria.