Economia

Mexia admite “preocupação” com futuro dos trabalhadores de Sines

Central vai ser encerrada em 2023. Presidente da EDP diz que é uma medida inevitável de um processo de transição energética.

O encerramento da central de Sines em 2023 é vista com “preocupação” pelo presidente da EDP. No entanto, António Mexia defendeu que esta é uma medida inevitável de um processo de transição energética. “Não vou comentar nenhuma decisão sobre 2023. Há uma coisa que é clara: a EDP talvez tenha sido a primeira entidade em Portugal a falar da transição energética e da aposta nas renováveis. Estamos absolutamente tranquilos com esta questão da transição energética. Mas o termo usado é, justamente, transição”.

O presidente da elétrica lembrou que existe “um período de phase-in muito acelerado – e mais acelerado do que era esperado nas renováveis – e há um phase-out”, acrescentando que “o phase-out do carvão será acelerado. Até porque o carvão – com os preços e CO2 e os impostos que tem, deixa de ser competitivo”, explicou aos jornalistas, à margem do primeiro dia da Web Summit, que arrancou na segunda-feira e se prolonga até quinta-feira, no Parque das Nações, em Lisboa.

António Mexia admitiu ainda que os empregos que estarão em causa com o fecho da central são “a questão essencial” desta decisão. “Gostaríamos de arranjar solução para toda a gente. Agora, a central de Sines tem a vida que terá. Estamos preocupados e focados naquelas pessoas, tal como em todas as outras. As companhias só crescem à medida que vão criando oportunidades”, referiu o CEO, frisando que o objetivo da EDP é “obviamente minimizar” tudo aquilo que são danos provocados por uma transição energética. No entanto, António Mexia fez questão de frisar que muitas das medidas para a implementação destas mudanças “dependem do mercado e de decisões políticas. Não dependem da EDP”.

 

Plano B

Antes, durante a sua intervenção no palco Planet:tech, o presidente da EDP já tinha admitido que estamos a viver uma “fase de transição importante”, explicando que os combustíveis fósseis farão parte deste processo de mudança, mas que o futuro passa por ser cada vez mais verde: “A partir da próxima década – não a que arranca daqui a uns dias, mas sim a partir de 2030 – seremos 100% renováveis”, garantiu.

E frisou os principais benefícios para os consumidores: além de serem uma solução mais amiga do ambiente, António Mexia explicou que as energias renováveis são uma tecnologia mais barata. “Com mais renováveis há uma maior eficiência. É uma energia mais limpa e mais barata” que irá pesar menos nos bolsos das pessoas e no futuro das próximas gerações. E admitiu que quem está a impedir a revolução energética é porque tem interesses nessa área. “Estamos do lado bom da força. Não há planeta B, mas há plano B”, referiu.

Mexia falou também sobre a questão da barragem de Fridão e o processo que corre nos tribunais administrativos. “Sobre as barragens, não há nada de novo. O processo está a correr normalmente. Como sabem, temos um plano com várias soluções alternativas para vender dois milhões de ativos na Península Ibérica. Há várias soluções alternativas, esta é uma delas, que eu acho que faz sentido também em Portugal, onde assim conseguirão ter mais operadores, o que me parece positivo. É um processo normal. Se for essa a alternativa escolhida, terá a sua conclusão no ano que vem”, acrescentando que “o comprador não está escolhido. Se estivesse, vocês já sabiam. Há este processo e há alternativas que estão a ser estudadas, como outras”, acrescentou.