Economia

Bancos tradicionais hesitam perante a nova diretiva de serviços de pagamentos

Estudo da Roland Berger conclui que PSD2 é “um passo importante na direção do open banking”.

 

A nova diretiva de serviços de pagamentos (PSD2) entrou em vigor na União Europeia em setembro e é encarada pela grande maioria das instituições financeiras europeias (81%) como uma oportunidade. As conclusões sujem no estudo da Roland Berger "Adaptar ou morrer? Por que razão a PSD2 tem fracassado em desvendar o potencial do Open Banking", que conclui que “a PSD2 não é apenas mais uma regulamentação”, mas “um passo importante na direção do open banking”.

A consultora acrescenta, porém, que “muitos bancos ainda não definiram de forma clara como se irão posicionar estrategicamente para tirar partido das novas oportunidades”. Segundo as suas conclusões, apenas cerca de um terço (35%) dos bancos já se posicionaram para assumirem o papel de prestadores de serviços de agregação de contas ou iniciadores de pagamentos. 

O estudo da Roland Berger – realizado em 12 mercados europeus, incluindo Portugal, através de um inquérito a mais de 40 bancos líderes e grandes empresas de tecnologia – teve como objetivo analisar o impacto da PSD2 nas empresas, os desafios e oportunidades. De acordo com esta análise, as empresas encontraram vários obstáculos no momento da implementação da PSD2. Os maiores foram a incerteza na regulamentação (40%), a ausência de informação sobre os requisitos (21%) e a sua limitação de recursos e orçamento (14%).

Apesar do conceito de open banking não ser novo para a indústria bancária, quando questionados sobre como como encararam a adoção da norma PSD2, 42% dos bancos responderam “como oportunidade estratégica” sendo que a maioria ainda se está a concentrar no cumprimento dos requisitos mínimos regulamentares, existindo um reconhecimento da lacuna entre as ambições estratégicas iniciais dos bancos e a implementação efetiva da PSD2.

Quando questionados sobre as principais oportunidades criadas pela PSD2, 33% prevê melhorar o seu portefólio de produtos e serviços, 26% respondeu que irá atrair novos clientes e 18,5% indica que irá desenvolver um ecossistema baseado na cooperação entre parceiros. Em geral, a visão é de existem mais oportunidades do que ameaças e os bancos acreditam que o open banking é um processo inevitável, daí a importância da visão estratégica.

Este estudo demonstra que a hesitação dos bancos em implementar a PSD2 se deve, em grande parte, ao ambiente de mercado extremamente difícil, às taxas de juros baixas, a uma regulamentação rígida e as infraestruturas de IT nem sempre propícias a um desenvolvimento ágil. A maioria dos bancos ainda acredita que a relação de proximidade e confiança que existe entre o cliente e a instituição é uma vantagem face à concorrência (em particular fintechs e neobanks), no entanto, estão cientes da emergência de um conjunto de novos concorrentes, que poderão ameaçar os seus modelos de negócios. Os bancos tradicionais terão de fazer avultados investimentos em tecnologia e desenvolver abordagens e propostas de valor inovadoras e disruptivas. Terão igualmente de fomentar uma cultura direcionada ao cliente e às suas necessidades, reduzindo dramaticamente o time-to-market das soluções – tipicamente áreas onde as fintechs e bigtechs são mais fortes e onde os bancos têm tido uma má performance.

A PSD2 marca a entrada num cenário de open banking, no qual os prestadores de serviços financeiros concedem acesso a dados a outras empresas e cooperam juntos – sempre com o objetivo de oferecer aos clientes melhores produtos e serviços. Este novo modelo mudará drasticamente as cadeias de valor do setor financeiro e todos os intervenientes terão de se adaptar rapidamente. Antes de mais, envolve elaborar um posicionamento estratégico claro e encontrar uma solução para as ameaças identificadas. Este estudo mostra que os bancos têm sido pouco proativos e não adotaram uma estratégica em relação ao open banking.