Internacional

Agentes armados irrompem pelo Congresso de El Salvador

Foi o Presidente salvadorenho, Nayib Bukele, que chamou policias e militares, para pressionar os deputados a aumentar o financiamento das forças de segurança.

O Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, não tem um único deputado do seu partido, mas não estava sozinho quando dirigiu uma sessão do Congresso, este domingo: foi acompanhado por um grupo de policias e soldados, com equipamento de guerra e armas automáticas, alguns deles com o rosto tapado. Bukele, de 38 anos, sentou-se na cadeira do presidente de órgão legislativo e rezou antes de dar início à sessão - assegurou ao El País ter direito divino a tal. O objetivo do chefe de Estado foi pressionar o Parlamento a aceitar o seu plano de controlo territorial, que envolve um empréstimo de 109 milhões de dólares (quase 100 milhões de euros), para comprar um helicóptero, veículos policiais, uniformes e equipamento de vigilância. Enquanto isso, esperavam lá fora mais de mil polícias trazidos do interior do país, incluíndo franco-atiradores, segundo o elsalvador.com.

Tratou-se manobra "ditatorial", nas palavras dos deputados da oposição. O Presidente salvadorenho chegou a ameaçá-los com uma "insurreição", invocando o artigo 87 da Constituição, relativo ao direito à insurreição. "Se estes desavergonhados não aprovam o plano de controlo territorial voltaremos a convocá-los no domingo", ultimou Bukele. As consequências do Congresso desobedecer às suas ordens? "Se não aprovam o plano não me vou por entre o povo e o artigo 87 da Constituição, ficará nas suas mãos", declarou.

Bukele assegurou ter apelado a deus, questionando o que fazer entretanto. "Paciência, paciência", terá respondido deus ao Presidente, que convocou os seus apoiantes a manifestarem-se ontem, enquanto irrompia pelo Congresso. Segundo ele, mais de 50 mil compareceram - mas media salvadorenhos falam em cerca de cinco mil. El Salvador tem uma das mais elevadas taxas de homicídio do mundo, boa parte deles resultado de grupos violentos, como o gangue Mara Salvatrucha, conhecido como M-13. O chefe de Estado apresenta o reforço das forças de segurança como exigência popular, para garantir a segurança.

Recorde-se que Bukele, empresário e antigo presidente da Câmara de San Salvador, foi eleito Presidente o ano passado, na primeira volta, com 53,1% dos votos: surpreendeu tudo e todos. Era candidato de vários pequenos partidos de centro-direita, mas conseguiu canalizar a insatisfação com os dois grandes partidos, a direita da Aliança Republicana Nacionalista (Arena) e a esquerda da Frente Farabundo Marti para a Libertação Nacional (FMLN). Estes dois partidos alternavam no poder desde o fim da guerra civil de El Salvador, em 1992: a Arena juntou antigos dirigentes da ditadura militar, enquanto a FMLN é o partido dos antigos guerrilheiros socialistas.