Sociedade

Portugueses entre os estrangeiros que estão a ser alvo de discriminação na China

Um dos portugueses diz ter sido impedido de alugar espaços desportivos por ser estrangeiro e ambos queixam-se de vários comportamentos discriminatórios, como por exemplo o facto de os chineses saírem propositadamente do elevador quando eles entram.


Há portugueses residentes na China que estão a ser discriminados por parte dos chineses devido à covid-19, confirmou a organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) à agência Lusa.

"O Governo central tem o dever de proteger toda a gente (...) Este racismo tem de ser parado", disse o vice-diretor da HRW para a Ásia, Phil Robertson, em declarações à agência noticiosa, acrescentando que têm chegado várias denúncias à organização de estrangeiros barrados em vários serviços e que estão a sofrer ataques xenófobos nas ruas e nas redes sociais do país, incluindo portugueses.

Segundo o responsável, a desconfiança para com os estrangeiros acontecem sobretudo porque grande parte dos casos de covid-19 registados na China nas últimas semanas são casos importados, ou seja, provenientes do exterior. Contudo, os comportamentos discriminatórios aumentam uma vez que nem o Governo central nem as autoridades provinciais estão a agir para os prevenir.

À agência Lusa chegou ainda o testemunho de dois portugueses na província chinesa de Guangdong, adjacente a Macau. Um dos portugueses disse ter sido impedido de alugar espaços desportivos por ser estrangeiro e ambos queixam-se de vários comportamentos discriminatórios, como por exemplo o facto de os chineses saírem propositadamente do elevador quando eles entram.

Os portugueses contam ainda que amigos próximos foram, por exemplo, impedidos de entrar na loja da multinacional norte-americana Walmart na cidade vizinha de Macau, Zhuhai, ou de outros que foram expulsos de um hotel.

O cônsul português na cidade chinesa de Cantão confirmou à Lusa ter conhecimento de casos discriminatórios para com estrangeiros. No entanto, refere que não foi reportado qualquer queixa de cidadãos portugueses.

"Têm acontecido, de facto, algumas situações [discriminatórias para com estrangeiros], mas, em relação aos cidadãos portugueses, eles têm que nos dizer", pediu André Sobral Cordeiro.

"A xenofobia e o racismo não têm lugar num país civilizado", afirmou o responsável da HRW, relembrando que quando era a China o epicentro da pandemia, Pequim criticou atos xenófobos e discriminatórios para com os asiáticos. "Não pode agora olhar para o lado", frisou Phil Robertson.

Recorde-se que o novo coronavírus foi detetado no final de dezembro, em Wuhan, na China.