Internacional

Cardeal espanhol diz que vacinas contra a covid-19 são fabricadas com "fetos abortados"

Cañizares disse que "o diabo existe no meio de uma pandemia".

António Cañizares, cardeal arcebispo de Valência, fez declarações polémicas durante a homilia desde domingo, na catedral da cidade. As palavras do cardeal, de 74 anos, referentes à investigação para a criação de uma vacina contra a covid-19, geraram controvérsia e originaram notícias não só em Espanha, como também a nível internacional, levando mesmo Cañizares a emitir um comunicado para justificar a sua posição.

De acordo com o jornal El País, durante a missa de domingo, o cardeal espanhol disse que “o diabo existe no meio de uma pandemia, nas pesquisas de vacinas e curas” e acrescentou que obteve a informação de que, uma das investigações para criar uma vacina contra a covid-19 está a utilizar embriões humanos.

“Há informações extremamente dolorosas de que uma das vacinas é feita a partir de células de fetos abortados. Isso é desumano, cruel. Não podemos elogiá-lo ou abençoá-lo. Muito pelo contrário. Nós somos a favor do homem, não contra o homem. Primeiro matam-no e depois manipulam-no. Temos mais um infortúnio. É um trabalho do diabo”, disse o cardeal, que pertence a um dos setores mais conservadores da Igreja Católica.

“Temos de recuperar o que mais precisamos, a fé em Deus que perdemos, o sentido de adoração, o sentido de sermos irmãos. A Igreja é uma Eucaristia, é amor, não é uma ONG, como às vezes a apresentamos. A caridade não é apenas mais uma obra, é a própria Igreja, a presença de Deus. Não podemos permitir que nos impeçam de celebrar a Eucaristia, que é o compromisso do qual a caridade brota em favor dos pobres, dos necessitados, dos últimos e também dos desempregados”, acrescentou.

Depois da polémica, o cardeal emitiu, esta segunda-feira, um comunicado para justificar as suas palavras. António Cãnizares diz que leu um artigo científico da revista ‘Science’ denominado “Vacinas que usam células fetais humanas estão a ser fortemente criticadas”, e que levanta questões éticas sobre o uso de embriões humanos na procura de uma vacina para o novo coronavírus.

“Desde o início da pandemia que rezo para que seja encontrada uma vacina para ajudar a curar e até prevenir a covid-19, como afirmei repetidamente. Com base nas informações que vemos publicadas, felizmente as investigações estão a progredir e teremos uma vacina. A única coisa que acrescentei é que, de acordo com essas mesmas publicações, parece que existem mais de cem linhas de investigação e, entre essas centenas, existem algumas que estão a levantar dilemas éticos. Portanto, se existem mais de 130 linhas de pesquisas, o desejável é que a vacina seja alcançada e produzida sem levantar dilemas éticos na sua produção”, argumentou.

No entanto, segundo a imprensa espanhola, não é a primeira vez que o cardeal se vê envolvido em polémica. Durante uma missa, Cañizares chegou a dizer que estava a ser perseguido por denunciar o “império gay”.