Economia

Turismo. Quebras fazem desemprego crescer mais de 200% no Algarve

Pandemia veio reduzir o emprego no Algarve, que apesar da crise, até tinha boas expetativas para este verão. Valores podem agravar em setembro.

A pandemia de covid-19 trouxe alguns problemas para o turismo no Algarve e, com isso, surgiram também problemas no desemprego: o início da pandemia coincidiu com as contratações para a época turística o que fez com que milhares de pessoas não fossem contratadas e outras tivessem sido dispensadas.

A título de exemplo, o Tivoli Hotels & Resorts teria, num verão normal, cerca de mil pessoas a trabalhar nas suas seis unidades às quais se juntavam os contratados ao dia, à hora ou à semana. Este ano o número foi reduzido para metade. Os números foram divulgados à Lusa por Jorge Beldade, diretor geral das operações do grupo. “Nós, em março, quando foi o início desta pandemia, estávamos em fase de início de contratação para a época de cerca de 350 pessoas. Acabámos por contratar só 89 e, obviamente, todas as outras deixaram de ser contratadas e a seguir os hotéis fecharam e passámos todas as pessoas a layoff”, disse o responsável à Lusa.

Também Elidérico Viegas, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) diz à Lusa que “o efeito nas receitas das empresas e o impacto no emprego é indiscutível e será uma realidade incontornável”. E por isso estima que os valores“agravem novamente” a partir de setembro.

É que, segundo dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), em maio de 2020 o Algarve foi a região que registou o maior aumento de desempregados inscritos no país, com um crescimento de 202,4%, face ao mesmo mês do ano passado.

Verão de incertezas Apesar da pandemia, as expetativas para este verão até eram positivas como chegou a dizer Elidérico Viegas ao i. Tudo porque o Algarve é o destino de excelência dos portugueses para julho e agosto. A incerteza, dizia o responsável, dizia respeito aos turistas internacionais, nomeadamente o mercado britânico. “As atenções ainda estão viradas para o final do mês, para se saber se estes turistas vão ter de ficar de quarentena e para que países podem deslocar-se”, disse ao i. O responsável lembrou ainda que continuam a existir restrições no espaço aéreo. “No mercado estrangeiro vai haver muitos condicionalismos, nomeadamente nos nossos principais mercados, que são o Reino Unido e a Alemanha, e, por isso, acredito que a procura será quase residual. Vamos depender sobretudo do mercado interno”.

Contudo, o facto de o Reino Unido ter excluído Portugal dos corredores aéreos vai fazer o caso mudar de figura e, se havia dúvidas em relação ao mercado britânico, estas já foram desfeitas. “O Algarve ficou praticamente fora da pandemia e é prejudicado pela situação que se vive em Lisboa”, disse Elidérico Viegas ao SOL. O responsável admite mesmo que “o impacto é enorme, tanto nas empresas hoteleiras e turísticas, como na economia da região e do país”.