Economia

Pro.var defende regresso de apoios e reabertura planeada

Associação diz que falta de planeamento provoca “um verdadeiro ataque de nervos” aos empresários.

A Associação Nacional de Restaurantes, a Pro.var, defende a reabertura das linhas de apoio Apoiar.pt, Apoiar Restauração e Apoiar Rendas “através de um reforço muito substancial dos apoios”, pedindo “no imediato” uma verba superior a 250 milhões de euros, para cobrir as perdas de 2020, “eliminando os limites mínimos, aumentando a base de cálculo com apoios de 30% das perdas para empresas com perdas superiores a 25%, revendo os tetos máximos para empresas que perdem mais de 40% da faturação homóloga e incluindo os contratos de utilização e de exploração”.

A associação pede ainda a alteração de algumas regras de acesso e garante que a ausência de planeamento ao nível dos apoios e dos timings de reabertura “está a provocar um verdadeiro ataque de nervos nos empresários, pois começam a ficar sem condições financeiras e muito apreensivos quanto à estratégia”.

Em causa está o aumento da população desempregada, e Daniel Serra, presidente da associação, não tem dúvidas de que este crescimento “se deve essencialmente à insuficiência de apoios e à falta de planeamento dos timings de reabertura”.

A Pro.var diz que o número de desempregados “não surpreende” e é apenas “a ponta do icebergue”, uma vez que “os empresários dizem ter chegado ao limite e estão fartos de esperar por apoios e planos de reabertura que nunca mais vêm”.

Para Daniel Serra, apenas um “milagre poderá evitar, mas já se prevê uma subida em flecha dos números de desempregados para os próximos meses, pois a ter em conta toda a cadeia de valor que depende desta atividade, estão também em causa dezenas de milhares de empresas fornecedoras, que totalizam mais de um milhão de trabalhadores”.

E são estes dados que mostram o mais recente inquérito da associação: 60% das empresas ficaram de fora dos apoios e os restantes reclamam que eles são muito insuficientes. O inquérito, realizado entre os dias 28 de janeiro e 6 de fevereiro, diz ainda que dois terços das empresas não estão a ter capacidade para pagar salários e quase 90% (88,5%) dizem não estarem a conseguir pagar todas as despesas, estando por isso 60% (58,2%) em situação de insolvência.

A Pro.var refere que as contas de 2020 não estão totalmente cobertas. A associação fez as contas e revela que faltam mais de 250 milhões de euros em apoios, “sem falar na necessidade de se encontrarem novos apoios para cobrir as perdas no primeiro trimestre deste ano, que está praticamente perdido”. Por isso, defende, “é urgente” que se reabram as linhas, com este reforço à partida, planear novos apoios para cobrir as perdas de 2021 e que se encontre um modelo do tipo Simplex para facilitar o acesso.

É ainda sugerida a criação de uma conta única (conta-corrente) onde conste uma verba, calculada em função da faturação de 2019 ou estimada para empresas recentes, para cada uma das empresas e por unidade de negócio, e que todos os apoios possam ser creditados nessa conta.