Opiniao

"Um gato é um bicho"

O Prefácio é já uma crítica perfeita do livro, onde se diz que muitas vezes estamos de acordo com o Fafe, outras não (a sua escrita é sempre muito assertiva, e teríamos de estar colados a todas as suas opiniões, o que é sempre difícil). Mas vale sem dúvida a pena entretermo-nos com a suavidade (por vezes muito assertiva) deste livro.

O título foi tirado do último livro (‘um homem é um homem,/ um gato é um  bicho/ (2015-2020)) de José Paulo Fernandes Fafe, que antes tinha escrito livros profissionais (de marketing político, a especialidade que agora exerce sobretudo na América Latina. Este título é uma frase de suave admoestação, muito usada em português mais em gerações anteriores (e, pelos vistos, usava-se também em casa do Fafe), e que entrou no classicismo de provérbios ou anexins. Ele explica no livro como chegou ao tal título.

Antes, e sob o nome de José Paulo Fafe, tinha sido jornalista, e ficou como ele diz ‘com o bichinho da escrita’, que agora exerce com posts quase diários nas redes sociais. Este livro é feito com os posts que ele considerou mais intemporais, publicados antes no Facebook. Um dos aspectos bem curiosos do livro é o Prefácio de Joaquim Letria, que assim nos brinda com a sua magnífica escrita.

O Prefácio é já uma crítica perfeita do livro, onde se diz que muitas vezes estamos de acordo com o Fafe, outras não (a sua escrita é sempre muito assertiva, e teríamos de estar colados a todas as suas opiniões, o que é sempre difícil). Mas vale sem dúvida a pena entretermo-nos com a suavidade (por vezes muito assertiva) deste livro. E frisar, como fez o Joaquim Letria, que embora se esteja a dar sempre por findo o suporte do papel e do livro, vemos assim passarem para esse suporte os posts de Fafe na Internet.

Falta apenas dizer que 2015-2020 são os 6 anos aqui tratados, e que cada um começa com uma espécie de apresentação do embaixador Seixas da Costa, da escritora Rita Ferro, do político brasileiro José Dirceu, do cineasta e activista chileno Marco Enriquéz-Ominami, do ex-político e consultor Miguel Relvas e do presidente da sua Câmara Carlos Carreiras. É muito elogioso para todos eles, e mais ainda para Alexandre Pais, com quem trabalhou na época de jornalista (como de resto com Letria). Faz citações, no início de cada ano, de frases atribuídas a Mitterrand, Llosa, Cabrera Infante, Ruy Castro, Nelson Rodrigues, e finalmente, nos último ano e capítulo, apresentado por Carreiras, um oportuno provérbio brasileiro.