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Parabéns a você, PS!

Ora, se no final de 2009 José Sócrates aumentou funcionários públicos e pensionistas, se baixou o IVA, se prometeu mundos e fundos, como foi possível que em 2011, um ano e meio depois, o país estivesse falido? 

Esta semana assinalámos os 10 anos em que o José Sócrates, primeiro-ministro do PS, apareceu ao país a comunicar que tinha falido Portugal. O feito à época causou algum espanto já que em 2009 o mesmo José Sócrates tinha ganho as eleições legislativas. Ora, se no final de 2009 José Sócrates aumentou funcionários públicos e pensionistas, se baixou o IVA, se prometeu mundos e fundos, como foi possível que em 2011, um ano e meio depois, o país estivesse falido? 

Ora, justamente, José Sócrates estando o país falido, vendeu aos portugueses em 2009 a ilusão de prosperidade porque queria ganhar as eleições legislativas. Foram José Sócrates e o PS que chamaram a troika, todavia, o que se veio a passar depois, mudou para sempre a política portuguesa – é o que podemos constatar dez anos passados.

Foi o Governo de centro-direita PSD e CDS que aplicou o brutal pacote de austeridade imposto pelos credores. Pedro Passos Coelho, obrigado a reduzir o défice de 11% para 3%, cortou salários de funcionários públicos e as pensões mais altas, cortou feriados, ou seja, acertou no osso da classe média e média alta. Pedro Passos Coelho foi o primeiro-ministro com a tarefa mais ingrata do Portugal do pós 25 de Abril.

Em 2014, o Governo PSD/CDS livrou-nos da troika, permitiu-nos readquirir a soberania perdida, robustecendo a economia através das empresas, sobretudo das exportadoras e do turismo. Em 2015, Pedro Passos Coelho ganha as eleições legislativas mas não consegue governar pelo muito simples motivo de que António Costa havia percebido que o ressentimento das classes médias urbanas contra as medidas da troika era mais do que suficiente para derrubar o muro que dividia o PS do PCP e do Bloco de Esquerda.

A Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro com uma tarefa tão espinhosa quanto a que teve Francisco Sá Carneiro na afirmação da democracia e Cavaco Silva na afirmação de um Portugal europeu, opôs-se António Costa, um dos primeiro-ministros mais oportunistas que Portugal já teve. 

As consequências políticas da bancarrota do país causada pelo PS foram duas: o PS uniu-se ao PCP e ao BE; ao mesmo tempo que o PSD e o CDS enfraqueceram eleitoralmente. Seis anos volvidos, é ainda assim que estamos. Razão para dizer que o PS comeu os figos e ao PSD/CDS é que estalou a boca. A situação mantém-se assim apesar de o ex-primeiro-ministro do PS, José Sócrates, ter sido preso em 2014 e, ao dia em que escrevo, o processo se arrastar enquanto os jornais escrevem: «Três grupos económicos pagam luvas de 34 milhões de euros a José Sócrates» (referindo-se ao Grupo Espírito Santo, Grupo Lena e Vale do Lobo). 

Na semana em que se assinalam os dez anos daquela comunicação ao país, e no meio crise pandémica covid-19, crise sanitária, económica e social e quando ainda nem sequer sabemos se José Sócrates vai a julgamento, convém não esquecermos de dar os parabéns a quem de direito. Até porque eles andam todos aí!