Vida

Demi Lovato diz que o "patriarcado" a impediu de se assumir como pessoa não-binária

A ex-atriz da Disney revelou ainda que o “patriarcado” a impedia de “sonhar alto”


Demi Lovato afirmou que “se tivesse ouvido o patriarcado” nunca se teria assumido como pessoa de género não-binário. Em entrevista ao programa Fire Drill Fridays, da atriz Jane Fonda, a cantora confessou ainda como foi crescer atraída por ambos os géneros numa família cristã.

“Se eu tivesse ouvido o patriarcado, a minha vida nunca teria casado. O meu género e os meus pronomes nunca teriam mudado”, revelou Demi, que agora é tratada pelo pronome “them”, em inglês, que significa “eles/elas”. “Eu provavelmente estaria casada com um homem e com filhos, a fazer o que acreditava que devia fazer, segundo a minha educação. Por ter crescido em Dallas, Texas, no sul e ser cristã, havia muitas normas que me foram impostas quando se tratava de sexualidade e género. Sou uma pessoa muito fluida. Sou uma pessoa aberta e de espírito livre, então quando se trata de géneros, comecei a perceber que eles já me estavam impostos quando olhava para trás na minha vida. Houve momentos em que me senti mais masculina e houve momentos em que me senti mais feminina”, disse.

“Sempre fui atraída por todos. Sinto-me atraída por todos desde que me lembro. Portanto, houve momentos da minha vida que foram muito confusos para mim, tendo apenas 10 anos, atraída por mulheres e sem saber o que isso significava como cristã. Eu percebi que depois de anos a viver a minha vida por outras pessoas, a tentarem tornar-me menor para o patriarcado porque eles comandam a indústria”, acrescentou.

A ex-atriz da Disney revelou ainda que o “patriarcado” a impedia de “sonhar alto”. “Como é que patriarcado me tem impedido? Para mim foi ao colocar-me numa caixa e dizer-me: ‘Tu és mulher, é isto que deves fazer. Não sonhes alto, não fales alto’. Isso não me agradou”, confessou.

A mudança na vida da cantora começou após a sua “experiência que quase morte”, quando, em 2018, sofreu uma overdose. “Quando tive uma experiência de quase morte em 2018, após uma overdose de drogas, percebi que tinha de acordar e começar a viver a minha vida por mim. Não importa o que um homem vai pensar”, afirmou.