Sociedade

Pneumologista Filipe Froes diz que Portugal deve "reservar agora" vacinas da gripe

“A reserva das vacinas da gripe tem que ser feita com a máxima antecedência de maneira a garantir um número de vacinas que, cada vez mais, é escasso perante as solicitações dos outros países”, afirmou.


Filipe Froes, pneumologista e coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos (OM), afirmou, esta segunda-feira, que Portugal deve “reservar agora” as vacinas contra a gripe, uma vez que as doses são “escassas” devido às “solicitações de outros países”.

“A reserva das vacinas da gripe tem que ser feita com a máxima antecedência de maneira a garantir um número de vacinas que, cada vez mais, é escasso perante as solicitações dos outros países”, afirmou, em declarações à agência Lusa.

O médico afirmou ainda que a pandemia reforçou a “importância do planeamento, da organização e da antecipação” e deu como exemplo a Alemanha, que fez a encomenda das duas vacinas “há vários meses”.

"Nós não podemos dizer que vamos antecipar e preparar e depois deixar tudo para uma altura em que estamos limitados e ficar com os restos", alertou, cerca de 10 dias depois de o Governo ter autorizado a realização da despesa pelas Administrações Regionais de Saúde para a aquisição da vacina contra a gripe para a época 2021/2022.

Filipe Froes alertou que a gripe deve ser analisada de “uma maneira diferente” devido à falta de atividade gripal nos países do Hemisfério Norte – algo positivo porque “significa que as medidas de intervenção não farmacológicas foram eficazes para a diminuição da circulação dos vírus respiratórios”, mas “menos positivo” porque “ao não haver gripe nós todos não tivemos capacidade de desenvolver reforço da imunidade, não tivemos capacidade de efetuar uma vigilância epidemiológica adequada e estamos perante uma situação de maior risco, não só de atividade gripal mais forte, bem como maior risco de discordância antigénica, ou seja, as vacinas não terem a concordância desejada em relação às estirpes do vírus influenza que estão na vacina e às estirpes em circulação", explicou.

"Já sabemos que em anos em que há menos gripe habitualmente no ano seguinte há mais gripe", alertou ainda, explicando que Portugal se deve preparar para este "cenário".