Economia

PIB dispara e atinge máximos históricos

PIB disparou 15,5% no segundo trimestre, o maior crescimento desde 1996. Siza Vieira fala em ‘máximo histórico’ e António Costa em ‘sinais de recuperação animadores’. Ministro das Finanças acena com crescimento acima de 4%.


O Produto Interno Bruto (PIB) disparou 15,5% no 2.º trimestre do ano em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Em cadeia, ou seja, face aos primeiros três meses do ano -– marcados também pelo confinamento -– o PIB cresceu 4,9%.

O ministro da Economia fala em «máximo histórico», enquanto o primeiro-ministro acena com «sinais de recuperação animadores». É certo que este é o maior crescimento homólogo num trimestre desde pelo menos 1996, ano em que começa a atual série histórica do gabinete estatístico.

Esta evolução, segundo o INE, «é influenciada por um efeito base, uma vez que as restrições sobre a atividade económica em consequência da pandemia se fizeram sentir de forma mais intensa nos primeiros dois meses do segundo trimestre de 2020, conduzindo então a uma contração sem precedente da atividade económica».

O gabinete de estatística aponta ainda para o contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB que se acentuou e o contributo da procura externa líquida que foi menos negativo no 2º trimestre, traduzindo sobretudo o aumento mais significativo das exportações de bens. «No 2.º trimestre de 2021, em termos homólogos, registou-se uma perda nos termos de troca, tendo o comportamento do deflator das importações sido influenciado, em larga medida, pelo crescimento pronunciado dos preços dos produtos energéticos».

 

‘Recuperou bem’

No entender de Siza Vieira, estes números mostram que a economia «recuperou bem» face ao contexto de pandemia, lembrando que foi registado «uma grande contração durante o primeiro trimestre por causa do confinamento», o que mostra que «as empresas conseguiram responder à procura quando ela se verificou» e, ao mesmo tempo, criar emprego.

O ministro da Economia lembrou ainda que «as exportações portuguesas de bens durante o primeiro semestre deste ano estão acima daquilo que já se verificava em 2019», o que, no seu entender, mostra «um bom sinal também da competitividade das empresas exportadoras».

Também António Costa defendeu que «os sinais de recuperação são animadores» e face a esse cenário defende que «há que prosseguir e continuar a trabalhar». Para o primeiro-ministro, estes números são «um excelente sinal» da «resiliência da economia, com o conjunto de medidas que foram adotadas». E não tem dúvidas: «Esta combinação permitiu sustentar o emprego», referindo-se aos números da taxa de desemprego que apontam para uma situação idêntica a que Portugal tinha no início da pandemia.

Ainda esta semana, o INE revelou que a taxa de desemprego situou-se em 6,9%, em junho, menos 0,1 pontos percentuais do que em maio e menos 0,6 do que em junho do ano passado.

 

Leão otimista com crescimento

Face a este crescimento, o gabinete de João Leão mantém a confiança que a previsão de crescimento de 4% para este ano será superada, destacando o «maior crescimento económico das últimas décadas», o que confirma a «forte retoma económica» do país.

Além disso, comparando com os restantes Estados-membros, o gabinete do ministro das Finanças sublinhou que «tanto o crescimento homólogo, como o crescimento em cadeia, situam-se consideravelmente acima das médias da zona euro e da UE, sinalizando a retoma do processo de convergência interrompido durante a pandemia».

Uns resultados que vieram animar o cenário económico, depois de a Direção-Geral do Orçamento ter revelado os dados do défice referentes ao primeiro semestre do ano, em que o saldo das administrações públicas ultrapassou os 7.060 milhões de euros em contabilidade pública, o que representou um agravamento de 150 milhões de euros face ao período homólogo.

De acordo com os mesmos dados, a despesa primária apresentou um crescimento de 5,7%, «refletindo as medidas extraordinárias de apoio à economia», enquanto a receita fiscal registou um crescimento de 4,6%, «em resultado do desconfinamento no período mais recente e também do efeito base associado aos impactos negativos do confinamento no período homólogo», disse o gabinete de João Leão.

A despesa do semestre com medidas extraordinárias de apoio às empresas e famílias atingiu os 3.805 milhões de euros, ultrapassando o valor executado em todo o ano 2020. Já os apoios a cargo da Segurança Social ascenderam a 1.323 milhões de euros, «ultrapassando significativamente o valor orçamentado para 2021 (776 milhões de euros) e representando cerca de 82% do total executado em todo o ano de 2020», acrescentando que se destacam os apoios ao emprego (795 milhões de euros), os apoios extraordinários ao rendimento dos trabalhadores (313 milhões de euros) e os subsídios por doença e isolamento profilático (127 milhões de euros).

[notícia atualizada]