Cultura

Squid Game. O pesadelo colorido que tem feito o mundo refletir

Foi uma surpresa para toda a gente, não só em Portugal como em todos os recantos do mundo. A série coreana Squid Game já é a produção mais vista na Netflix e não só tem prendido muitas pessoas ao ecrã, como tem questionado e refletido sobre muitos dos problemas atuais e universais que têm destruído o mundo ao longo das décadas.

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Habituamo-nos a tremer quando num filme de terror a assombração nos transporta até ao universo infantil. Ao contrário daquilo que se possa supor, muitas vezes, as cores não são sinónimo de leveza, diversão e inocência. Estamos também habituados a vibrar mergulhando em produções americanas, inglesas ou até mesmo espanholas. Mas, se antes nos poderíamos interrogar sobre a possibilidade de nos “rendermos” a uma série coreana, hoje já não. Squid Game, em português, O Jogo da Lula é a prova disso. 

Cru, macabro, desconcertante e até incomodativo. Parece estranho afirmar que uma série com todas estas características tem cativado milhões de pessoas em todo o mundo que, durante nove episódios, “não são capazes de tirar os olhos do ecrã”. Talvez porque diga alguma coisa sobre todos nós e muita coisa sobre alguns em particular.

A urgência, o poder, o dinheiro e a falta dele, o tempo, o “parecer” e o desespero mascarado de ambição desmedida. Squid Game é uma história de oprimidos, identificável por pessoas que lutam completamente falidas com os olhos postos num futuro mais risonho. Mas a que custo? A morte…

O enredo

“Todos vocês que aqui estão, apresentam-se numa situação extrema. Têm todos uma dívida que não podem pagar”, assim começa esta história. As dívidas já afogaram Seong Gi-hun que é perseguido por todos aqueles a quem deve dinheiro. Sem trabalho e com um casamento fracassado, Gi-hun aposta tudo aquilo que rouba à sua mãe – doente – em corridas de cavalo.

Quando numa noite, no metro, um homem lhe propõe jogar um jogo que lhe valerá uma grande quantia de dinheiro, o homem falido aceita o desafio. Este tem apenas de levar uma bofetada na cara de todas as vezes que perde e, se ganhar, passa a ser o dono da mala cheia de notas. Após várias tentativas e já com grandes hematomas no rosto, Gi-hun consegue vencer e no prémio vem incluído um convite para um jogo ainda maior. 

Sem saber, o protagonista entra numa competição perversa, da qual fazem parte 456 participantes, todos eles com grandes dívidas às costas e pouca esperança na vida. A salvação passa por jogar versões violentas do Macaquinho do Chinês e outros jogos que nascem e vivem nos recreios das escolas.

Numa ilha, os jogadores estão cercados e controlados por guardas de vermelho, sem rosto que ditam as regras num clima passivo-agressivo e onde aquelas que poderiam ser apenas formas geométricas vulgares ditam toda uma hierarquia. 

O prémio é de 45,6 mil milhões de wons (cerca de 32,89 milhões de euros), mas aquilo que os participantes, à partida, não sabem é que aquilo que estão a colocar em jogo são as suas próprias vidas.

As regras são “básicas”: o jogador não pode parar de jogar; o jogador não pode abandonar o jogo; o jogo termina se a maioria quiser. Seguem-se então nove jogos cobertos de sangue, que obrigam ao desconstruir dilemas, à paciência, inteligência e cautela.

O problema é que, como em tudo na vida, rapidamente os cenários se transformam e, normalmente, nessa transformação, há sempre o “dedo humano”: os próprios jogadores começam os jogos envolvidos em medo que depressa de transfigura dando vida a um desespero disfarçado de ambição desmedida. O que mais importa? O dinheiro ou a própria vida? A minha vida vale mais do que a vida de outrem? 
 
O "passado" de Squid Game 

Segundo a Forbes, que cita dados analisados pela Vulture, Squid Game é a série mais vista do momento em pelo menos 90 países de todo o mundo. A série sul-coreana lidera, por exemplo, o top diário da Netflix em Portugal, Estados Unidos, Argentina, Brasil, Chile, Japão, México, Canadá, Qatar ou Uruguai.

Mas o caminho até aqui não foi fácil. Hwang Dong-hyuk, criador da produção coreana, teve de ouvir vários ‘nãos’ antes de conseguir luz verde dos estúdios para avançar com a sua ideia. O realizador começou a escrever o drama distópico sul-coreano em 2008.

Nas suas próprias palavras, foi também nesse ano que se deu a sua própria estreia: “Nessa altura, frequentava muito as lojas de banda desenhada. Li muitas, comecei a pensar em criar algo como uma história de banda desenhada passada na Coreia e concluí o guião em 2009”, explicou Dong-hyuk, citado pela Netflix.

Mas apesar de ter concluído o guião (daquilo que estava pensado primeiramente como um filme) em 2009, o realizador teve de guardar a ideia numa gaveta: primeiro porque tinha outros projetos para concluir, como Silenced (2011), Miss Granny (2014) e The Fortress (2017), antes de poder criar a série; e segundo porque talvez o mundo não estivesse preparado para recebê-lo.

“Na altura, o conceito era demasiado estranho e violento. Houve pessoas que o acharam demasiado complexo e pouco comercial. Não consegui investimento suficiente, e as audições não foram fáceis. Fui tentando ao longo de um ano, mas acabei por ter de pôr a ideia de parte”, revelou.

Naquela época, potenciais investidores e atores “irritaram-se” com as mortes brutais e a implausibilidade de um grupo de indivíduos que competem por dinheiro até à morte. Mas, há dois anos, a Netflix considerou que as lutas de classes descritas na série falavam precisamente da realidade.

E, quando a pandemia covid-19 atingiu a economia global, “exacerbou a disparidade entre ricos e pobres”, sublinhou Hwang, acrescentando que “mesmo a distribuição de vacinas varia muito, dependendo se um país é rico ou não”. “O mundo mudou”, disse Hwang. “Todos esses pontos tornaram a história muito realista para as pessoas em comparação com uma década atrás”.

E foi por isso que, uma década depois, Hwang Dong-hyuk conseguiu resgatar a história e trabalhar nela. “Graças à Netflix, não houve quaisquer restrições, e foi-me dada a liberdade criativa para trabalhar como bem entendesse”, contou o criador que admite compreender o porquê da história ter “abalado” o mundo: “Depois de cerca de 12 anos, o mundo transformou-se num lugar onde estas histórias de sobrevivência, violentas e peculiares são bem aceites (...) As pessoas comentam sobre como a série é relevante para a vida real.

Infelizmente, o mundo foi nesta direção. Os jogos da série em que os participantes enlouquecem alinham-se aos desejos das pessoas em ganhar o jackpot, com a criptomoeda, imóveis e ações. Muitas pessoas tiveram empatia com a história”, continuou Hwang. 

De acordo com o The Wall Street Journal, Hwang Dong-hyuk teve a ideia para a série enquanto vivia com a sua mãe e avó. Para conseguir ter dinheiro e continuar a escrever o guião, foi obrigado a vender o seu computador portátil por 675 dólares, o equivalente a 584 euros.

E é curioso, pois a peça central da série é exatamente essa: o dinheiro. Por isso, no fundo, a série é “sobrevoada” por uma grande crítica social. “Eu queria escrever uma história que fosse uma alegoria ou uma fábula sobre a sociedade capitalista moderna, algo que representasse uma competição extrema, algo como a competição extrema da vida. Mas queria usar o tipo de personagens que todos nós conhecemos na vida real. Os jogos são extremamente simples e fáceis de entender. Isso permite que os espetadores se concentrem nos personagens, em vez de se distrair tentando entender as regras”, elucidou o realizador coreano. 

O sucesso inesperado 

Ted Sarandos, co-diretor executivo da plataforma de streaming, já havia informado na conferência de tecnologia Code 2021 realizada no dia 27 de setembro, que se os dados de visualização continuassem em linha com os primeiros dias após a sua estreia (17 de setembro), Squid Game poderia até ser a série original da Netflix mais vista da história: “É muito provável que seja o nosso programa de maior sucesso de todos os tempos, é extremamente popular”, disse Sarandos.

Embora não tenha fornecido informações específicas sobre a ficção, o executivo garantiu que esta se encontra a superar os sucessos anteriores da Netflix que não falam inglês, incluindo La Casa de Papel e Lupin. “Um boom internacional” dizem os responsáveis. 

De acordo com a consultoria Parrot Analytics (que mede a popularidade de programas com base em vários fatores, como buscas na Internet ou downloads ilegais), Squid Game é atualmente a série com maior demanda no mundo e tem despertado 79 vezes mais interesse do que a média de qualquer outro programa.

Por sua vez, Bela Bajaria, vice-presidente de TV Global da Netflix, em entrevista à Vulture, mostrou a surpresa relativamente ao sucesso: “Não imaginávamos que o sucesso seria tão grande globalmente. Sempre soubemos que seria um título importante na Coreia, mas não havia como prever até onde iria”, afirmou. 

Apesar do seu sucesso “repentino”, o drama coreano representa uma recompensa da aposta plurianual da Netflix no conteúdo sul-coreano. A gigante de streaming dos EUA investiu “cerca de 700 milhões de dólares, o equivalente a 606 milhões de euros, em filmes e programas de televisão coreanos de 2015 a 2020”, diz a empresa.

Além disso, a popularidade da série surge num momento em que a Netflix enfrenta uma concorrência sem precedentes, com serviços de streaming rivais que procuram produzir sucessos originais de forma a atrair a atenção de todos os continentes para diferenciar as suas ofertas. 

A falha nas legendas 

Contudo, Squid Game passou por alguns preparativos para se tornar um megahit global. Com uma barreira potencial de idioma, a Netflix enfatizou os recursos visuais, vestindo os concorrentes com roupas de ginástica verdes e construindo cenários coloridos que lembram playgrounds infantis.

Algumas das regras para os jogos tradicionais coreanos também foram simplificadas ou alteradas. Segundo a plataforma de streaming, cerca de 95% dos espetadores da série estão fora da Coreia do Sul. A produção foi legendada em 31 idiomas e dobrada em 13. E isso já tem vindo a ser alvo de “contestações”. 

Há quem afirme que as legendas “remendadas” do Squid Game mudaram o significado da série para os espetadores que não dominam a língua. 

Youngmi Mayer, fluente falante de coreano, afirmou à BBC que as legendas em inglês são “tão más” que o significado original das frases muitas vezes se perde. “O diálogo foi tão bem escrito e nada dele foi preservado nas legendas”, escreveu Mayer num post no Twitter.

Num vídeo do TikTok que teve quase nove milhões de visualizações, Youngmi deu ainda vários exemplos de tradução incorreta. Numa cena, um personagem tenta convencer as pessoas a jogar o jogo e as legendas em closed caption dizem: “Não sou um génio, mas ainda assim consegui”. Mas, segundo o jovem fluente em coreano, o que o personagem realmente diz, é: “Eu sou muito inteligente, mas nunca tive chance de estudar.” Essa tradução coloca mais ênfase na disparidade da riqueza na sociedade – que também é um tema no filme coreano de 2019 vencedor do Oscar, Parasite.

Fãs que comentaram as publicações de Youngmi questionaram ainda a estratégia de tradução da Netflix, e outros afirmaram que “as legendas menos precisas tornam a aprendizagem para aqueles que querem aprender a língua, mais díficil.”

Os comentários iniciais de Youngmi foram sobre as legendas em closed caption (comumente referido pela sigla CC, é um sistema de transmissão de legendas via sinal de televisão, utilizado para auxiliar deficientes auditivos) e não sobre as legendas em inglês. As legendas ocultas são para pessoas com deficiência auditiva e incluem descrições de áudio e efeitos sonoros, bem como a fala. São frequentemente geradas automaticamente.

Youngmi já esclareceu que as legendas em inglês são “substancialmente melhores” do que as legendas fechadas. Porém, acrescentou: “As falhas nas metáforas – e o que os escritores estavam realmente a tentar dizer – ainda estão bem presentes”.

Uma série como "arma política" 

Para além do “poder” que ganhou enquanto série, “líder de audiências”, Squid Game tem também tido um impacto social grande, tendo chegado a colocar a Coreia do Sul a falar de desigualdade. 

A série está agora a ser usada por políticos e pela sua população como metáfora para as desigualdades sociais no país, já que o seu argumento tem soado familiar entre os sul-coreanos, “frustrados com a crescente desigualdade salarial num dos países mais ricos da Ásia”, explicou Areum Jeong, especialista em cinema coreano do Instituto Sichuan-Pittsburgh na Universidade de Sichuan.

“Os jovens hoje sentem-se desencorajados e estão pessimistas em relação à taxa de desemprego”, continuou, acrescentando que a perspetiva de ganhar enormes quantias de dinheiro “pode parecer muito atraente, mas implica sujar as mãos de sangue”.

Posto isso, líderes políticos sul-coreanos de todos os quadrantes já começaram a tentar aproveitar-se na popularidade da série utilizando-a como metáfora para se atacarem uns aos outros (as eleições presidenciais dão-se no próximo mês de março). 

Lee Jae-Myung, provável candidato do Partido Democrata de centro-esquerda às eleições presidenciais de 2022, usou esta semana Squid Game para criticar adversários políticos. “Squid Game tornou-se um sucesso viral”, disse, sugerindo que se estaria a desenrolar um outro concurso entre os conservadores sul-coreanos, a que chamou o “jogo dos cinco mil milhões de wons”.

O incidente a que, provavelmente, se refere e que veio a público no mês passado, está relacionado com o filho de um deputado de direita que recebeu cinco mil milhões de wons, cerca de 3,6 milhões de euros, depois de abandonar uma empresa de gestão de activos onde trabalhava numa posição hierárquica relativamente baixa.

Esta alta quantia de dinheiro, normalmente atribui-se em forma de indemnização a altos dirigentes que deixam empresas como a Hyundai Motor e a Samsung Electronics depois de décadas de serviço.

Por sua vez, os conservadores também incluíram a série no seu discurso: Hong Joon-pyo, que procura “dirigir” a corrida presidencial do People Power Party, afirmou que uma cena de Squid Game, em que uma concorrente se agarra a um rufia e salta de uma ponte, o lembra um “certo político”.

E supõe-se que este esteja a fazer referência a Lee Jae-Myung, acusado publicamente por uma atriz famosa por desaparecer abruptamente após manter com ela uma relação extraconjugal. 

Huh Kyung-young, líder de um partido menos popular, conhecido pelo seu “discurso populista”, declarou que tinha sido o primeiro a prestar atenção à série Squid Game. Huh prometeu que iria implementar o jogo Huh Kyung-young (um programa que terá como objetivo dar a cada sul-coreano cerca de 77 mil euros num pagamento único). Isto se conquistar a maioria absoluta nas eleições do próximo ano.

“Squid Game é hoje representativo do estado de espírito do povo coreano. Ostracização, devastação, precariedade, inimigos em todos os lados. Estão (os concorrentes) encurralados e a última hipótese parece ser o Squid Game”, afirmou. 

Netflix processada e não acaba aqui 

O impacto da série foi ainda mais longe, fazendo com que o fornecedor de Internet sul coreano SK Broadband queira responsabilizar a Netflix por custos acrescidos de rede e de utilização de largura de banda, pedindo uma indemnização de 23 milhões de dólares à plataforma só para os gastos de 2020. O principal responsável? Squid Game que tem feito o conteúdo sul coreano atingir níveis recorde de popularidade.

Em junho, um tribunal local decidiu a favor do ISP (de Internet Service Provider) no sentido de que a Netflix seria responsável pelo aumento de procura que os seus conteúdos causam na rede da SK. A Netflix respondeu a esta situação através de um comunicado citado pelo TechCrunch onde afirma que “iremos rever a queixa que SK Broadband apresentou contra nós. Entretanto, continuamos à procura de diálogo aberto e a explorar formas de trabalharmos com a SK Broadband para assegurar uma experiência de streaming sem interrupções para os nossos clientes partilhados”.

O pesadelo na vida real 

O sucesso esmagador e mundial da série também já se encontra a fazer as suas primeiras vítimas. Imaginemos que começamos a receber quatro mil chamadas por dia... Seria estranho e, no mínimo, assustador. Foi precisamente isso que começou a acontecer a um anónimo, de 40 anos que mora na província de Gyeonggi, na Coreia do Sul e que, por mero acaso, possui o número de telefone que surge nos ecrãs e ao qual os jogadores ligavam para participar no jogo perverso.

O coreano recebe tantas chamadas por dia que a bateria do seu telemóvel acaba em menos de meio dia. O seu número apareceu no primeiro episódio, num cartão de visita dado ao personagem Seong Gi-Hun, no momento em que este se encontra no metro com um homem misterioso que o convida para jogar. 

“Tenho recebido ligações e mensagens de texto incessantemente, 24 horas por dia, sete dias por semana, ao ponto de isso influenciar o meu dia-a-dia. É um número que utilizo há mais de 10 anos. Por isso estou bastante surpreso... Todos os dias chegam cerca de quatro mil telefonemas. Nem percebi o que é que estava a acontecer, porque não vi a série. Uma das pessoas que me ligou, explicou-me”, disse o proprietário ao South Korea Money Today.

O verdadeiro dono, recebendo tamanha quantidade de ligações, no princípio pensou que se tratava de ligações de spam, até que um dos interlocutores o informou do real motivo de tanta agitação. “Como ele tinha apenas oito dígitos, pensei que não existia, mas tentei ligar. Deu à primeira. Achei que a produção e a Netflix teriam previsto isso. Desculpe. O número é visto nos episódios 1 e 2 do Squid Game, e o senhor pode confirmar. Lamento ter ligado de madrugada”, explicou um usuário enquanto se desculpava por incomodá-lo. 

O proprietário já entrou com uma queixa junto aos criadores da série, pois o “assédio” já é insuportável. “É irritante ao ponto das pessoas ligarem independentemente de ser de manhã cedo. O meu telemóvel desliga ao meio-dia porque a bateria acaba com tantas ligações”, lamentou.

Aparentemente, primeiro a equipa de produção da Squid Game entrou em contacto com o dono do telefone e deixou a seguinte mensagem: “Não há nada que possamos fazer porque o número já foi emitido e não foi intencional.

Sinceramente, acreditamos que a única opção restante é mudar o seu número”, revelou o anónimo durante uma entrevista ao SBS’s 8 News. “Primeiro, ofereceram-me uma compensação de 1 milhão de wons, (aproximadamente 730 euros), e depois aumentaram a proposta para 5 milhões, (aproximadamente 3700 mil euros)’’, revelou, acrescentando que não pode mudar de número porque este está vinculado ao negócio da família há mais de 10 anos. Ontem, num comunicado, a plataforma de streaming garantiu que “em colaboração com a companhia de produção, está a resolver o assunto, editando as cenas onde surgem os números de telefone”. 

Se alguma vez duvidamos do poder do cinema que, em poucos dias, começa a “inspirar” a humanidade, está na hora de refletirmos sobre isso. O problema? Nem todas as inspirações são positivas.