Tautologias

A. Santos Silva na CNN: o PS sou eu!

Do mesmo modo que o PSD pode ser o polo principal de uma direita e centro liberais, mas não de uma direita que inclua partidos fascistas e nazis (que, legalizados, não me parece aliás haver).


Será? O que a CNN o convidou a vir dizer, seguramente mandatado para isso, foi que o PS é como ele o disse. Professoral, explicou com muita clareza o modelo político, ideologia, projeto, aliados e parceiros. E deixou claro o que virá se continuar no poder (onde tenta manter-se como pode): continuidade da dependência do exterior, aumento da pobreza geral e das desigualdades, restrição crescente de liberdades, imposta pelos novos obscurantismos.

No programa conduzido por Paulo Magalhães (que o leitor deve fazer tudo para ver), Sérgio Sousa Pinto, a que Santos Silva parece ter ido para contradizer, disse o que teria de dizer – e calou-se.

Na verdade, o PS de ASS – que assim se revelou o seu ideólogo – não é o de Mário Soares, Sérgio Sousa Pinto e Francisco Assis.

E o que é então, o que tem sido este PS, como ASS o decretou? No desiderato político do país, o jogo é entre dois blocos. A ‘esquerda’, um bloco centrado no PS e por ele comandado, congregando os aliados que considera naturais, BE e PCP, que disputa o poder com outro bloco, a ‘direita’, centrado e comandado pelo PSD, congregando os partidos da direita. E seria essa tensão em suposto equilíbrio democrático que, para ASS, faria funcionar a democracia.

O Prof. Augusto Santos Silva conhece o suficiente da História dos Séculos XIX e XX, de História das Ideias, para saber como se constituíram as formações políticas atuais. Surge-me, assim, como uma estranha espécie de Maduro na pele de um académico, fora do seu nicho ecológico.

Pergunto-lhe: o que aconteceria ao PS de sempre, de Soares e dos companheiros com quem o fundou e afirmou, num país governado pelos que agora considera seus parceiros e aliados naturais num bloco, a ‘esquerda’?

Que democracia? Que país? A ‘democracia’ salva por Soares e por quem o seguiu, vencendo a ditadura que lhe queria impor essa ‘esquerda’ que o PS de ASS agora promove e a quem oferece o poder? Se este PS de ASS tivesse futuro, seria engolido por ela. Ou julga que seria ele a engoli-la? 

Em que democracia acredita e quer viver o Professor Augusto Santos Silva? Na que garante a liberdade de expressão e uma comunicação social livre, ou na que as tolhe. Na que gera desenvolvimento e prosperidade ou na que lança, como sempre lançou, os povos na opressão e na miséria? Na democracia de Soares, ou na Cunhal e Louçã? Na de Churchill e Brandt, Obama e Merkel, ou na de Lenine, Estaline, Trotsky e Maduro? No pluralismo dos partidos, no sistema representativo, ou, assumida ou disfarçadamente, no de partido único? Quer o desenvolvimento e a riqueza ou acolhe e subscreve o ‘quanto pior melhor’ dos aliados no bloco da sua ‘esquerda’, a estratégia dos que usam reivindicações absurdas e boicotes na economia para chegarem ao poder e o manterem? ASS julga mesmo precisar do BE e do PCP para o PS aumentar o salário mínimo?

O PS – o que ainda restar deste PS – poderá e deverá ser, na democracia liberal, o polo dinâmico de uma esquerda liberal e dum centro esquerda, mas nunca de uma extrema-esquerda iliberal, estalinista ou trotskista, como são o BE e o PCP. Do mesmo modo que o PSD pode ser o polo principal de uma direita e centro liberais, mas não de uma direita que inclua partidos fascistas e nazis (que, legalizados, não me parece aliás haver).

E serão mesmo ASS e o seu PS europeístas? Acha que é possível a um partido democrático governar na Europa com o ‘apoio’ ou ligado a partidos odiosamente antieuropeus?

ASS está há 40 anos no poder. Em 40 anos, Portugal esteve sempre no último lugar do desenvolvimento na Europa Por mais minada que esteja a nossa lucidez, a nossa autonomia e a nossa esperança, por mais que a escola de ASS tenha, desde há mais de 40 anos, idiotizado gerações e gerações de portugueses (como também previra Sottomayor Cardia, figura do PS liberal), que gente seremos nós para continuarmos a eleger quem tão impunemente nos tem mantido, afinal, nesta apagada e vil tristeza? 

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