Sociedade

Fingiam ataques de orca a veleiros para traficar droga entre Portugal e Espanha

Detidos já tinham antecedentes por tráfico de droga. 


Uma operação conjunta entre a Guardia Civil espanhol e a Polícia Judiciária levou ao desmantelamento de uma rede de narcotráfico que fingia avarias em veleiros ou ataques de orcas para introduzir haxixe de traficante português em Espanha. 

Segundo um comunicado da Guardia Civil, no âmbito desta operação foram detidas duas pessoas, um espanhol e um português, já com antecedentes criminais relacionados com droga, em El Puerto de Santa María, Cádiz. No seguimento da ação, foi apreendido um total de 172 quilos de haxixe. 

A autoridade espanhola explica que o esquema passava por um dos detidos fazer "uma viagem marítima num veleiro para a costa marroquina, onde carregava a droga que escondia nas cabines para, uma vez de volta e em águas territoriais, solicitar assistência marítima após fingir uma avaria ou acidente".

Já em Espanha, os dois tranferiam droga em pequenos lotes para uma sala de armazenamento de uma espécie de "berçário", onde esta era mantida até ser transportada para fora do país.

A investigação terá começado no verão de 2021, "quando os agentes detetaram um veleiro e vários indivíduos, com histórico de tráfico de drogas, em movimentos suspeitos, compatíveis com atividades relacionadas ao tráfico de drogas". 

Em junho desse ano, o principal suspeito e proprietário da embarcação, atracou no Puerto Deportivo de Barbate, depois de ter sofrido um alegado ataque de orcas ao cruzar o Estreito de Gibraltar. "O incidente provocou uma mudança no barco utilizado, não conseguindo, no entanto, afastar o foco da investigação a que estava a ser submetido", explica a Guardia Civil.

Ao longo da investigação, foi possível apurar que existiam "deslocações habituais do principal suspeito para Lisboa", o que levou ao contacto das autoridades espanholas com a Polícia Judiciária portuguesa e posterior colaboração.

Deste modo, foi estabelecido um dispositivo "composto por agentes da Polícia Nacional, da Guarda Civil e da Agência Tributária, que permitiu detetar um encontro entre o suspeito espanhol e um cidadão português". O cidadão português foi identificado pela Polícia Judiciária pelos inúmeros registos relacionados com o tráfico de droga e posse ilegal de armas.

"Os investigadores conseguiram documentar vários encontros que permitiram atribuir ao cidadão português o papel de proprietário da droga e pessoa que financiou todas as operações" desde trazê-la de Marrocos à venda da mesma.

Já o espanhol era o proprietário do veleiro que navegou em águas internacionais para Marrocos onde foi carregada a droga, regressando à sua base numa marina da zona em Espanha.

A droga era colocada no armazém que servia de "berçário" para depois ser transportada em pequenos lotes.

Foram efetuados os mandados de busca, o que permitiu a apreensão de 160 pacotes de haxixe, num total de 172 quilos, mais de 63 mil euros em dinheiro escondidos num cofre, telemóveis, uma viatura e um computador portátil. 

Havia ainda inúmeros documentos que comprovam a existência destas operações ilícitas desde 2016, com um plano concebido expressamente para introduzir a droga na Europa através da utilização de veleiros.

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