No Meio de Nós

Acender uma luz

Encontrar as razões de ambas as partes e encontrar alianças para ambas as partes tem sido o trabalho quer da Ucrânia, quer da Rússia.

Acender uma luz

Este momento que atravessamos é particularmente complicado, não só por causa da guerra entre dois países, mas porque a situação em que nos encontramos gera partidos e os partidos, como o nome indica, partem… separam… dividem…

Encontrar as razões de ambas as partes e encontrar alianças para ambas as partes tem sido o trabalho quer da Ucrânia, quer da Rússia. Ora, encontrar aliados e fazer alianças para ganhar a guerra será, então, o próximo objetivo das duas partes. Se, por um lado, percebemos que a Ucrânia tem os seus aliados bem alinhados, por outro lado, percebemos que há ainda muitos países relevantes que não tomaram ainda posição.

Nós não estamos em tempos de amaldiçoar as trevas, mas de acender uma luz. 

O Papa Francisco escreveu a sua encíclica sobre a “Fraternidade Humana”, e bem, para estimular a um diálogo cada vez mais verdadeiro e fraterno entre os povos, as raças (bem sei que já não existem, mas não sei qual é o nome novo das raças), os homens e as mulheres, as nações… no fundo, precisamos de caminhar para um mundo onde o que está no centro é o amor e não a ideologia.

É, por isso, necessário que alguém acenda uma luz!

É estranho pensar que Putin tenha alguma coisa contra a NATO e esteja a negociar com a Ucrânia. Talvez fosse melhor, negociar com a NATO e não com a Ucrânia. Se há problemas entre a NATO e a Rússia devem ser estas duas potências a negociar… ou será que não há mesmo problema com a NATO e apenas Putin quer anexar o território da Ucrânia e a questão da NATO é apenas um pretexto?

Na verdade, no futuro, qualquer país que não pertença à NATO vai ter um problema - que já o tinha no passado: quem nos vai proteger?

A tendência, no futuro, é que vários países queiram pertencer a esta organização para garantirem a sua segurança. Ora, isto significa que se a NATO não as receber terão de fazer alianças com outras potências. 

Não há dúvida de que será, mesmo, necessário trabalhar para uma organização das relações entre as diferentes nações. Mas será que baste uma ordem jurídica nova? Será que basta um novo código de direito internacional? 

Uma coisa nós sabemos: não é por falta de leis ou de tratados nacionais, transnacionais ou internacionais que existem guerras!

As relações entre os homens não se podem apenas basear em leis - que são muitas vezes os garantes da paz - mas numa nova relação de segurança. O que nos dá a segurança é, sem dúvida, a confiança. No entanto, só existe confiança se houver o desejo de conhecimento do outro. 

A raiz dos males da humanidade não está em nenhum organismo internacional, mas no nosso próprio organismo: o coração! Por isso, é necessário curar o coração da desconfiança, da insegurança, levando-o a conhecer os outros. 

O coração de um só homem tem o poder de mudar o curso da história humana para o bem e para o mal. Tudo pode mudar! Tudo! Se o coração dos homens mudar… tudo muda à nossa volta.

O avanço tecnológico e económico que assistimos no mundo contemporâneo deve ser acompanhar de um avanço antropológico que vá para lá das ideologias de género ou de raça. As ideologias, quaisquer que elas sejam, são um ídolo e, na realidade judaico-cristã, os ídolos devem ser destruídos para que apareça o amor.

A idolatria domina o coração humano… o amor a Deus, e só a Deus, abre o coração humano ao amor de si e dos demais. Por isso, é preciso que alguém acenda agora uma luz!
 

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