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Kherson. Rússia e Ucrânia voltam a trocar acusações

Rússia diz ter eliminado grupo armado em Kherson e trocou acusações com a Ucrânia. UE pede tribunal para crimes de guerra, depois da descoberta em Izium.

Kherson. Rússia e Ucrânia voltam a trocar acusações

A Rússia e Ucrânia estão em acusações mútuas sobre quem provocou os confrontos em Kherson depois de um vídeo ter mostrado confrontos no centro da cidade ucraniana ocupada na noite de sábado.

O exército ucraniano está a liderar uma contraofensiva para retomar a cidade do sul, que foi tomada pelo exército russo nas primeiras semanas da invasão.

A imprensa russa Vesti-Crimea transmitiu um vídeo na noite de sábado onde mostrava uma troca de tiros em torno de dois veículos blindados perto da estação de Kherson.

A administração de Kherson, instalada na Rússia, disse no final do dia que “destruiu” um grupo de atacantes. “Houve um confronto no centro de Kherson entre secções das forças armadas russas que patrulhavam as ruas da cidade e um grupo não identificado de pessoas”, disse o Governo no Telegram.

E, na manhã deste domingo, a porta-voz do comando do exército ucraniano do sul, Natalia Gumeniuk, atirou: “Os tiroteios e explosões de ontem em Kherson são provocações dos ocupantes”.

O assessor presidencial ucraniano Mykhaylo Podolyak atribuiu os tiroteios a “tensões crescentes” entre diferentes fações pró Moscovo que se preparam para fugir devido às notícias dos avanços do exército ucraniano.

Kirill Stremousov, um oficial pró Moscovo em Kherson, disse que a cidade estava “calma” na manhã de domingo.

O horror em Izium Os relatos que chegam da Ucrânia continuam a não trazer boas notícias. Agora, a República Checa, que atualmente ocupa a presidência rotativa da União Europeia, pediu este fim de semana a criação de um tribunal internacional para crimes de guerra. O pedido surge depois da descoberta de 450 sepulturas nos arredores de Izium, no leste da Ucrânia recapturada dos russos na semana passada, com alguns dos corpos exumados que mostravam sinais de tortura. “No século XXI, esses ataques à população civil são impensáveis e hediondos”, escreveu o ministro das Relações Exteriores checo, Jan Lipavsky, no Twitter. E acrescentou: “Não devemos ignorá-lo. Somos pela punição de todos os criminosos de guerra. Peço o rápido estabelecimento de um tribunal internacional especial que processará o crime de agressão”.

Pouco depois, o presidente ucraniano, Zelensky, disse que os investigadores descobriram novas evidências de tortura usadas contra as pessoas enterradas em Izium. “Mais de 10 câmaras de tortura já foram encontradas nas áreas libertadas da região de Kharkiv, em várias cidades e vilas”, disse Zelensky.

E acrescentou que os russos terão que responder “tanto no campo de batalha quanto nos tribunais”.

Ainda este domingo, o secretário-geral da ONU se mostrou pessimista quanto à guerra. “Os russos e os ucranianos acreditam que podem ganhar a guerra. Não vejo qualquer possibilidade, a curto prazo, de uma negociação séria”, disse numa entrevista à RFI onde reconheceu que o objetivo agora é procurar alternativas para atenuar as consequências de uma guerra que deverá durar muito tempo.

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