Sociedade

João Soares apontado à Santa Casa

O movimento começou num conjunto de históricos socialistas e ganhou tração no partido, no Governo e não só: com os sinais de agravamento da crise social, há cada vez mais defensores da designação de João Soares como provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa caso se confirme a saída antecipada de Edmundo Martinho, por motivos pessoais.


Num momento em que se antevê um cenário duro de crise social, na Europa e em Portugal, um movimento de históricos socialistas defende a designação de João Soares para o lugar de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, em substituição de Edmundo Martinho, que, sabe o Nascer do SOL, poderá ter de antecipar o fim do seu mandato por razões de natureza pessoal. A confirmar-se a saída, o antigo ministro da Cultura e ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa é o nome que reúne mais apoios tanto em São Bento e no PS como na própria Santa Casa.

Para Luís Parreirão, destacado socialista e antigo secretário de Estado da Administração Interna e das Obras Públicas nos Governos de António Guterres, João Soares reúne todas as condições para poder desempenhar a função, «quer pelo conhecimento que tem da realidade social de Lisboa, quer pelo conhecimento que tem do país». «Naturalmente, compete ao Governo escolher o provedor, mas acho que todos aqueles que em Lisboa e toda a área de influência da Santa Casa conseguirão viver um pouco melhor com a ajuda de João Soares à frente da instituição», afirmou ao Nascer do SOL.

Confirmando que há muitas personalidades no partido e não só que entendem que o antigo presidente da Câmara, pela experiência e currículo que tem, quer em Lisboa, quer no país, «poderia prestar mais esse serviço à República, com a fraternindade que o caracteriza». Luís Parreirão abona que João Soares se notabilizou como presidente da Câmara de Lisboa, «nomeadamente,  com o que conseguiu fazer nos bairros sociais e nos bairros degradados». Um dos marcos da sua presidência na capital foi precisamente o fim do Casal Ventoso como bairro degradado e uma das mais famosas zonas de tráfico e consumo de drogas duras.

Também Maria de Belém – que em 2015 chegou a ser apontada como a aposta do primeiro-ministro António Costa para suceder a Santana Lopes na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa – vê em João Soares «uma pessoa que tem uma cultura familiar muito virada para a sensibilidade social». «A Santa Casa tem uma missão muito vasta e complexa e João Soares foi uma pessoa que, nos cargos públicos por onde passou, deixou uma marca muito positiva, fosse no domínio da gestão da Câmara  de Lisboa, fosse no domínio da Cultura, fosse na nossa representação internacional em vários órgãos parlamentares em que participou, designadamente na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, em que fez um ótimo trabalho e ocupou lugares mesmo de presidência da Comissão», recorda a antiga ministra da Saúde, considerando que, a confirmar-se a saída de Edmundo Martinho – a quem reconhece «um excelente trabalho como provedor» –, a escolha do seu colega de partido faz todo sentido. «É uma pessoa excelente, muito bem preparada do ponto de vista político, cultural e humano, que, porventura, até terá um enorme gosto e um perfil muito adequado para esse lugar», conclui.

Por seu lado, Rui Julião, que desempenha funções de adjunto no gabinete do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde e tem destacad experiência na ação social na autarquia da capital, descreve João Soares como um «humanista e um homem sensível e de combate» que seria uma figura «muito importante por causa dos níveis de pobreza que existem em Portugal». «A pessoa que for nomeada pelo Governo precisa de ter um conjunto de soft skills que lhe permitam encarar os próximos tempos com uma sensibilidade acrescida para a área da ação social, que são capacidades de que João Soares dispõe», afirma, recordando que enquanto líder do excutivo camarário de Lisboa foi obrigado a confrontar-se com «realidades duras» e a ultrapassá-las. «Os tempos que vão infelizmente perdurar precisam de pessoas com o seu perfil», defende.

No PS de Lisboa, João Soares também é um nome que reúne muito consenso, garante ao Nascer do SOL o presidente da junta de freguesia de Alcântara. Segundo Davide Amado, candidato à concelhia socialista, João Soares tem «um profundo conhecimento da sociedade e tem obra feita sobretudo junto da população com mais carências».

«A Santa Casa é uma instituição com séculos de história, com projetos fundamentais para a cidade de Lisboa, nomeadamente na área dos idosos», sublinha o autarca socialista, destacando que o ex-presidente da Câmara de Lisboa tem todo o histórico e potencial para dar àquela instituição uma liderança que vai no sentido de estar mais presente e de ajudar quem mais precisa. «Não há ninguém com a experiência e com o conhecimento de João Soares para liderar um projeto deste género. É das pessoas que melhor conhece a cidade, os seus problemas e as suas gentes, certamente terá o foco certo na sua ação. Neste momento, é importante para a cidade uma liderança que potencie toda a capacidade da Santa Casa.»

A proximidade à realidade lisboeta é igualmente um dos atributos que o antigo presidente da FAUL_e da Câmara da Amadora, Joaquim Raposo, destaca em João Soares: «É a pessoa que melhor conhece Lisboa e que melhor conhece as potencialidades e os problemas que existem em Lisboa». Frisando que o ex-governante «conhece um conjunto de entidades que pode acrescentar e envolver no trabalho que é necessário fazer», diz ainda que «em relação ao Governo, tem sido um aliado, pelo menos de António Costa» e, por isso, pode transmitir as mensagens do Governo de uma forma «mais íntima», pela sua facilidade de contacto.

O movimento de apoio à escolha de João Soares para provedor da Santa Casa tem vindo a crescer nos últimos dias, reunindo destacadas personalidades de vários setores da sociedade lisboeta e nacional.

O Nascer do SOL tentou falar com João Soares sobre a disponibilidade para o cargo, mas o socialista não quis responder.

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