Crítica musical

Neil Young and Crazy Horse Live - Weld

O álbum que definiu de uma vez por todas Neil Young, como o padrinho duma nova tendência musical chamada "grunge", apesar de a maior parte das letras apresentadas neste álbum, serem de uma complexidade narrativa tal, que seria demasiado redutor catalogá-lo simplesmente como mais um álbum dessa estirpe.

Neil Young and Crazy Horse Live - Weld

Weld
Neil Young & Crazy Horse Live

Neil Young - guitarra e vocais
Ralph Molina - bateria
Frank Sampedro - guitarra rítmica
Billy Talbot - guitarra baixo

 

por Telmo Marques


Gravado ao vivo durante a Ragged Glory tour, em pleno início da Guerra do Golfo '91, este duplo álbum, com as suas mais de duas horas de duração, mostra-nos o lado mais cru de Neil Young e seus "compagnons de route", despindo as músicas de qualquer camada mais melódica e, tornando-as simplesmente numa amálgama de um quase punk-rock, com a virtude de estarmos cientes que estamos na presença de um dos melhores letristas do século XX, o que não seria propriamente o caso da generalidade das bandas punk dos finais de '70s e inícios de '80's.

O 1º lado do álbum, começa com uma brilhante versão de Hey Hey, My My (Into The Black), completamente electrificada, com um gancho completamente inesquecível, constando inclusive na nota de suicídio, pasme-se, de Kurt Cobain, uns anos mais tarde.

Segue-se Crime in the City, do álbum Freedom, quanto a mim o melhor álbum de Neil Young dos anos 80, depois de uma década em que a sua musa, segundo o próprio, parecia tê-lo abandonado de vez, chegando mesmo a ser processado pela sua própria editora, liderada pelo magnata David Geffen, que por incrível que pareça, acusava-o de fazer canções que seriam muito pouco Neil Youngescas...!!!

A 3ª música do álbum é uma cover de Blowin' in the Wind de Bob Dylan, dedicada aos soldados que foram destacados para a já aludida guerra do Golfo, sendo apenas uma de duas covers deste duplo cd, sendo a outra Farmer John, incluída na 2ª metade deste duplo álbum.

Segue-se depois Welfare Mothers e Love to Burn, que continuam na senda das anteriores, se bem que neste caso, e na minha sincera opinião, tornam-se demasiado longas e repetitivas, com os seus mais de 17 mins de duração, e muita distorção à mistura.

Chegamos a Cinnamon Girl, do álbum Everybody Knows This Is Nowhere, um dos melhores de Neil Young dos anos 70, e que foi muito bem acolhido, quer pela crítica quer pelos fãs.

Eis-nos entretanto chegados às últimas duas músicas do cd 1, saídas do álbum que promoveu esta digressão, e lhe deu inclusive o nome, Ragged Glory.

O 2º cd é simplesmente vintage Neil, com clássicos intemporais como Cortez the Killer do álbum Zuma, Powderfinger*, um verdadeiro hino ao clássico rock and roll e que, segundo o mito urbano, terá sido composta para a banda Lynyrd Skynyrd*, como forma de reconciliação, após atritos originados por umas canções do álbum After the Gold Rush, nomeadamente Southern Man.

Love and Only Love é a única música de Ragged Glory presente no 2º cd, sendo contudo um upgrade em relação à versão de estúdio, apesar de atingir os quase 10 mins de duração.

Eis-nos então chegados a uma das mais conhecidas canções de uncle Neil, Keep on Rocking in the Free World, uma canção igualmente do álbum Freedom, e que desde então se tornou uma das mais reconhecíveis de Neil Young, sendo a canção que praticamente encerra todo e qualquer concerto dos Pearl Jam.

As duas canções seguintes deste segundo cd, são dois dos verdadeiros clássicos de Young dos anos 70, Like a Hurricane e Tonight's the Night, somando as duas mais de 20 mins, dando espaço a improviso, principalmente da guitarra do seu compositor, quase que encerrando de forma perfeita um concerto excepcional, albergando vintage Neil, bem como, músicas mais contemporâneas.

O encerramento do 2º cd fica a cargo de Roll Another Number, que é anunciada por Young como: "...and now, here's some more trash for ya..."

* Não sei se estarão ao corrente, mas os Lynyrd Skynyrd nunca chegariam a gravar Powderfinger, pois um infeliz acidente de aviação, dizimou fatalmente parte da banda, inclusive o seu líder e vocalista, Ronnie Van Zant.

Até para a semana, e de preferência, sempre com boa música

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