Cultura

Camila quebra tradição real

As damas de companhia são as assistentes pessoais da Rainha e a posição faz parte da monarquia desde a Idade Média. Mas Camila rompeu com a tradição em três meses. As damas de companhia passam a ter o estatuto de ‘companheiras da rainha’ - dão apoio, mas passam a ter um papel menos ativo enquanto suas conselheiras.

 

Camila quebra tradição real

Apenas três meses após a sua proclamação como Rainha consorte, Camila já quebrou uma das tradições mais antigas da monarquia britânica: será a primeira Rainha em séculos sem damas de companhia. Foi o Palácio de Buckingham que confirmou a alteração num comunicado divulgado no passado fim de semana.

A partir deste momento, Camila contará com o auxílio das chamadas “companheiras da Rainha”, cargo que até então não existia e que substituirá o de damas de companhia que fazem parte da monarquia desde a Idade Média. Durante a vida de Isabel II, ela e a sua irmã, a princesa Margaret, foram acompanhadas pelas suas damas de companhia nas mais diversas ocasiões, desde viagens reais e funções oficiais, atuando como conselheiras e secretárias. Mas agora o cargo, como sempre foi conhecido nos últimos séculos, acabou.

Amigas para o dia-a-dia

«A Rainha consorte não queria ou precisava de damas de companhia. As companheiras terão um papel diferente. Eles estarão lá para fornecer apoio e companhia. No final de um dia muito agitado, é bom ter um velho amigo ao seu lado», explicou uma fonte próxima ao The Sunday Times. De acordo com o Palácio de Buckingham, Camila recrutou seis confidentes e amigas próximas para ajudá-la no dia-a-dia, embora desenvolvam um papel menos ativo enquanto conselheiras e assistentes pessoais da Rainha. 

As seis eleitas fazem parte da aristocracia britânica e algumas já trabalharam no passado com a família real. São elas: Sarah Troughton (ocupa o cargo de Lorde Tenente de Wiltshire desde 2012, além de ser prima em segundo grau de Carlos III); Lady Sarah Keswick (amiga íntima dos reis há anos); Carlyn Chisholm (senta-se na Câmara dos Lordes para a ala conservadora como membro vitalício); Fiona Shelburne (marquesa de Lansdowne, é designer de interiores profissional e dirige o seu próprio estúdio há mais de três décadas); Katherine Brooke (também é amiga íntima dos reis, além de ser filha de uma das ex-damas de companhia de Isabel II durante o seu reinado) e Jane von Westenholz (amiga dos reis há décadas; a filha também é amiga íntima do príncipe Harry e foi esta quem o apresentou a Meghan Markle).

Com esta mudança, as ex-damas de companhia de Isabel II, que ainda se encontram no palácio, vão continuar ao lado dos novos reis, mas neste caso vão mudar de título e passarão a ser conhecidas como “damas da casa”. Lady Susan Hussey, Lady Mary Morrison e Lady Annabel Whitehead ajudarão Carlos III na organização de eventos formais no Palácio de Buckingham. Deixam, por outro lado, de ter funções relacionadas com a correspondência real e de programar a agenda diária, funções que até agora desempenhavam.

Isabel II e as damas de companhia

Nos últimos anos, a Rainha Isabel II foi acompanhada por um total de sete damas de companhia. No entanto, a sua idade avançada fez com que, pouco a pouco, estas deixassem o cargo ou morressem. No início de dezembro de 2021, Ann Fortune, duquesa de Grafton, sua dama de companhia desde 1967, e que ocupava o cargo de “dama da roupa” ou “dama dos vestidos” morreu aos 101 anos. Segundo o jornal The Times, este título existe desde finais do século XVI, com o reinado de Isabel I (que chegou a ter pelo menos 30 damas), e dava a entender que a pessoa nomeada para o cargo era responsável pelas roupas e as joias da rainha. Também em dezembro do último ano, algumas semanas depois de Fortune, a Rainha Isabel II despediu-se da sua dama de companhia Diana Maxwell, Lady Farnham, de 90 anos, que esteve ao lado da monarca falecida no passado dia 8 de setembro desde 1987. Há apenas duas semanas, também morreu Lady Frances Campbell-Preston, aos 104 anos, que passou 37 anos com Isabel II.

A estreia da Rainha consorte

No Palácio de Buckingham, na passada terça-feira, a Rainha consorte recebeu a Rainha Rania da Jordânia, Matilde da Bélgica e a princesa Mary da Dinamarca. Além das fotografias publicadas no Instagram oficial da Casa Real britânica, uma fotografias das três foi partilhada na conta da rainha da Jordânia nas redes sociais. «Uma tarde encantadora com Sua Majestade, a rainha consorte Camilla, e Sua Alteza Real, a princesa herdeira Mary da Dinamarca», pode ler-se na legenda da imagem.

 A receção no palácio tinha como objetivo dar visibilidade à violência contra as mulheres, a propósito da campanha das Nações Unidas ‘16 Dias de Ativismo’. 

A campanha convida pessoas individuais e organizações a reunirem-se e a discutirem estratégias para eliminar a violência contra mulheres e raparigas. A iniciativa começou no dia 25 de novembro, no Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, e decorrerá até 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos.

De notar que o apoio a vítimas de abuso sexual e violência doméstica tem sido uma das causas principais no trabalho da mulher do rei Carlos III.

«Com determinação e coragem, iremos ver o fim destes crimes hediondos, para sempre», escreveu a Rainha consorte na legenda que acompanha a fotografia do dia que ficou marcado também pela estreia na sua primeira receção a solo como Rainha consorte. 

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