Brasil presente

Arrependidos de Lula não esperaram posse

Lula da Silva quer prestigiar a ex-Presidente Dilma Roussef e teria a convidado para a embaixada em Lisboa. Já decidiu que o novo embaixador não será de carreira, mas um companheiro da área política ou artística.

 

Arrependidos de Lula não esperaram posse

Por Aristóteles Drummond

Lula da Silva assume a Presidência da República já com a oposição de alguns ilustres apoiantes de sua candidatura. A jornalista Miriam Leitão, que participou da luta armada contra o regime militar, é editora e comentarista de economia do grupo Globo e já critica o novo Governo. O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga se diz «preocupado», mas ainda não «arrependido». O senador Tasso Jereissati, ligado ao ex-Presidente FHC, que está deixando a vida pública, é outro que já criticou o andamento da formação do Governo. Esta semana vai ser movimentada, na bolsa e no câmbio, com o Ministério com forte viés esquerdista e de políticos sem experiência positiva. Lula da Silva quer prestigiar a ex-Presidente Dilma Roussef e teria a convidado para a embaixada em Lisboa. Já decidiu que o novo embaixador não será de carreira, mas um companheiro da área política ou artística.

 

VARIEDADES 

• O futebol brasileiro realmente não é mais o mesmo. Os técnicos dos principais times não são brasileiros. Portugueses são sete, dois argentinos, um uruguaio e outro paraguaio.

• Os lançamentos imobiliários no Rio de Janeiro têm sido um êxito para os empreendedores. É que o receio dos rumos da economia sob novo governo vem levando muita gente a trocar ativos financeiros por pedra e cimento, ou seja, imóveis. A estrela de lançamentos de alto padrão no Rio como em São Paulo é a GAFISA, empresa controlada pelo grupo de Nelson Tanure.

• Brasília nunca recebeu tantos chefes de Estado como agora na posse de Lula da Silva. Cerca de 20 países, sendo, entre eles, Portugal, Cabo Verde, Timor, Moçambique e Guiné. Da Europa, além de Portugal, a Alemanha e a Espanha, com o Rei. A surpresa pode vir dos EUA.

• O senador Tasso Jereissati, que foi governador do Ceará e está se retirando da política com o fim do mandato em fevereiro, foi o primeiro político importante a se mostrar arrependido do apoio a Lula. A gota d’água foi a mudança na lei que regula os cargos nas estatais, que passam a poder abrigar diretores e conselheiros políticos. Reclamou de «um retrocesso e uma burrice».

• O caju é um raro produto agrícola que comporta pequenos produtores. Mais de 80% da produção vem de propriedade com menos de cem hectares. Seriam cerca de 300 mil brasileiros envolvidos na produção. O caju, além da castanha, do sumo e da polpa vendida congelada, é usado em produtos como tintas e vernizes. O Ceará é o maior produtor desde anos 1970, quando o então governador César Cals promoveu o produto nos minifúndios.

• Aumento na inadimplência nos cartões de crédito é a primeira preocupação do início do ano.

• Mas as vendas de final de ano e o 13.º salário agradaram ao comércio e a liquidação de dívidas mais prementes, como de eletricidade e dos próprios cartões, cujos juros são altíssimos.

• A fábrica das Havaianas, sucesso mundial da indústria brasileira, anunciou que no ano findo fabricou 260 milhões de sandálias.

• Comenta-se que a mulher de Lula da Silva, Janja, vai ter muita influência no governo. Teria até uma sala no Planalto. Os críticos já a chamam de «Imelda Marcos de Brasília».

• Ainda este ano o Brasil estará produzindo lítio. Serão 300 mil toneladas este ano. São quatro os países que exploram o mineral que alimenta as baterias dos carros elétricos.

• O jornal Estado de S. Paulo, o Estadão, coloca em editorial que «o novo governo tem cara do passado, métodos do passado e nada de novo».

• Até o final do mês será selado o destino do industrial Josué Alencar, que preside a Fiesp. O mais provável é que seja removido do cargo. Lula teria oferecido um ministério para lhe dar conforto, mas problemas de sucessão nas empresas o prendem em São Paulo.

• O Rio vai ter o primeiro hospital de pets do Brasil. É o negócio do momento.

Rio de Janeiro, dezembro de 2022

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