Crítica musical

The Who - Who's Next

Entre o 1º e o último temas, somos presenteados com toda uma miríade de músicas de diferentes espectros sonoros, desde "Bargain" a "Getting in Tune", passando por outro dos temas mais emblemáticos da banda "Behind Blue Eyes", um tema que foi inclusive já gravado pelos Limp Bizkit, nos finais do século passado.

The Who - Who's Next

The Who - Who's Next

Roger Daltrey - vocais
Pete Townshend - guitarra e vocais
John Entwistle - guitarra baixo
Keith Moon - bateria
produzido pelos The Who e Glyn Johns
Olympic Studios - Londres
1971

 

por Telmo Marques

Talvez o melhor álbum de sempre dos The Who, pelo menos, do meu ponto de vista. Um álbum que os deixou para trás definitivamente como apenas mais uma banda de singles, para uma banda mais adulta, mais madura, uma banda de álbuns, sem no entanto, nunca perderem aquela irreverência própria da juventude, e que viria depois a transformá-la, já nos finais dos '70s, como a banda que apadrinhou o movimento "mod" na Grã Bretanha.

O álbum abre com aquela que considero ser uma das melhores músicas de sempre dos The Who, "Babba O'Reiiy, dois nomes indissociáveis à altura a Pete Townshend, Meher Babba (guru e inspirador motivacional, muito em voga nos anos 60) e Terry Rilley, músico norte americano, com fortes tendências para a experimentação analógica, nomeadamente em "loop tape", presença constante neste álbum.

O tema é-nos apresentado duma forma crua, com uns vocais imensos de Roger Daltrey, quiçá o melhor vocalista rock de todos os tempos, uma bateria frenética de um maníaco Keith Moon, umas linhas de guitarra eléctrica de Townshend, e como cereja no topo do bolo, um baixo subliminar de Entwistle, sem sombra de dúvidas, o melhor músico do quarteto.

Entre o 1º e o último temas, somos presenteados com toda uma miríade de músicas de diferentes espectros sonoros, desde "Bargain" a "Getting in Tune", passando por outro dos temas mais emblemáticos da banda "Behind Blue Eyes", um tema que foi inclusive já gravado pelos Limp Bizkit, nos finais do século passado.

Um tema acústico, com uma guitarra frenética de Townshend, que transporta a música para níveis superiores, transformando-a num clássico instantâneo para a banda, bem como para os milhões que a seguiam.

O epílogo do álbum dá-se com "Won't Get Fooled Again", que mantém uma actualidade absolutamente brilhante (basta atentar ao espectro político, quer nacional ou internacional) para termos, pelo menos, uma vaga ideia de como existem músicas com uma intemporais, por mais que os anos que passem.

""We'll be fighting in the streets

With our children at our feet
And the morals that they worship will be gone
And the men who spurred us on
Sit in judgement of all wrong
They decide and the shotgun sings the song

I'll tip my hat to the new Constitution
Take a bow for the new revolution
Smile and grin at the change all around
Pick up my guitar and play
Just like yesterday
Then I'll get on my knees and pray
We don't get fooled again

A change, it had to come
We knew it all along
We were liberated from the fold, that's all
And the world looks just the same
And history ain't changed
'Cause the banners, they all flown in the last war 


Um tema brilhante, escrito por um fantástico escritor de canções, e gravado por uma banda, que aqui se encontrava em pleno em estado de graça, pois um ano antes, tinha sido editado um dos melhores álbuns ao vivo de sempre, "Live at Leeds", o único álbum ao vivo da banda, contendo todos os quatro elementos originais, e um álbum que será porventura, brevemente aqui retratado.

Até para a próxima semana, de preferência acompanhados por boa música

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