Sociedade

Investigação apanha 40 entregas de dinheiro a Sócrates

José Sócrates recebeu, entre meados de 2011 e 21 de Novembro passado, quando foi detido, mais de um milhão de euros em dinheiro vivo, que depois utilizou exclusivamente para pagar viagens, incluindo as deslocações a Paris, almoços e outras despesas que compunham a vida de luxo que exibia.

Segundo o SOL apurou, só no último ano a investigação da Operação Marquês acompanhou e registou 40 entregas de dinheiro, que totalizaram 400 mil euros – ou seja, uma média de 33 mil euros por mês.

O dinheiro era levantado da conta no BES titulada pelo amigo Carlos Santos Silva, o empresário que é suspeito de ser o testa-de-ferro dos cerca de 20 milhões de euros que o ex-primeiro-ministro terá recebido em ‘luvas’ durante os dois mandatos em que liderou o Governo. Sócrates foi confrontado com essas entregas de dinheiro durante o interrogatório pelo juiz de instrução criminal, que o questionou sobre a origem dessas quantias – tendo respondido tratar-se de um empréstimo do amigo empresário, que iria pagar depois.

O dinheiro em numerário chegava às mãos de Sócrates em envelopes, através dos seus agora co-arguidos Carlos Santos Silva, Gonçalo Ferreira e João Perna, o motorista que o ex-primeiro-ministro contratou quando saiu do Governo, em Junho de 2011, e, sem emprego, decidiu ir estudar Filosofia Política para Paris.

Foi ao motorista, aliás, que coube fazer o maior volume de entregas, uma vez que a vida empresarial de Santos Silva o levava a ausentar-se muitas vezes do país. Nessas alturas, era Gonçalo Ferreira, advogado de Santos Silva, quem, com cheques passados pelo patrão, se dirigia ao balcão do BES para fazer os levantamentos em numerário. Por diversas vezes, ainda, João Perna chegou a depositar esse dinheiro na sua conta e a pagar ele próprio as despesas de Sócrates.

Leia este artigo na íntegra na edição desta sexta-feira do SOL, já nas bancas

felícia.cabrita@sol.pt