Desporto

Roller Derby, um desporto de mulheres que está a ganhar adeptos em Coimbra

A equipa de Coimbra de Roller Derby é uma das mais recentes formações deste desporto com pouca expressão em Portugal, onde as mulheres em patins se mostram com garra e atitude.

São 21:30 e as Rocket Dolls preparam-se para mais um treino no pavilhão da Escola José Falcão, em Coimbra. No recinto, apenas se encontram, à excepção do treinador, mulheres, entre os 15 e os 45 anos, das mais diversas profissões, que se juntam ali para praticar roller derby, um desporto pouco conhecido no país, mas que já angariou 21 entusiastas em Coimbra.

Vânia, fundadora da equipa, sempre teve uma paixão pela patinagem e encontrou no roller derby um desporto que, ao contrário da maioria, foi criado por e para mulheres, com "uma atitude muito feminina" e com muita garra.

Em Portugal, há cerca de "seis ou sete equipas" de roller derby, um desporto que começou nos Estados Unidos, nos anos 1950.

O jogo, com a duração de uma hora, consiste em duas equipas, de cinco elementos cada, em que uma das jogadoras, a 'jammer', tenta percorrer o máximo de voltas à pista oval sem ser derrubada pelas ancas e ombros de quatro 'blockers' adversárias.

A fundadora, com nome de guerra "Bloody Bones", diz que "quem vem a um treino já não sai" da equipa, numa modalidade em que as nódoas negras são encaradas como "souvenir" que se leva para casa.

"Há contacto, há velocidade, há estratégia e há patinagem. E isso é uma coisa que atrai muito as mulheres" ao roller derby, frisa Vânia, referindo que o objectivo da equipa é realizar o seu primeiro jogo competitivo em meados deste ano.

Por agora, ainda se podem observar muitas quedas e falta de experiência da "fresh meat [carne fresca]" - nome dado às jogadoras que começaram há pouco tempo, explica Vânia.

Patrícia "Puraviralata" Vaz é uma das 'fresh meat', tendo entrado há pouco mais de um mês na equipa.

Depois de ter experimentado práticas desportivas completamente opostas, como tai chi, foi no roller derby que encontrou aquilo que precisava.

Ao mesmo tempo que exercita "a massa muscular", exercita-se também o cérebro, sublinha.

"A partir do momento em que se colocam os patins, é impossível parar", disse à agência Lusa Bia "Killah B" Carneiro, socióloga de 33 anos, considerando que o desporto também "quebra um pouco os paradigmas de que os desportos femininos têm que ser muito delicados ou de que as mulheres não apreciam desportos de contacto".

As mulheres "gostam de ser competitivas e de demonstrarem a sua força", realça.

João Penacho, treinador das Rocket Dolls, aderiu logo à ideia da namorada, Vânia, por o desporto também estar associado, em parte, ao imaginário do "rock and roll".

Apesar de todo o contacto físico e nódoas negras que se coleccionam nos treinos, João Penacho assegura que na equipa de Coimbra "há roller derby love".

Para João, as jogadoras da Rocket Dolls são "mulheres Tarantino", numa alusão ao realizador americano e às personagens femininas fortes de alguns dos seus filmes.

"São mulheres de coragem, independentes e com garra", sublinha.

Lusa/SOL