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PSD acusa Costa de favorecer Grupo Mello em “hasta pública encenada”

A Câmara de Lisboa vendeu hoje cerca de 21 mil metros quadrados em Alcântara ao Grupo José de Mello. A venda rendeu cerca de 20 milhões de euros. Mas o PSD acusa António Costa de ter promovido uma “hasta pública encenada” onde só houve um comprador interessado: o grupo que quer construir um hospital privado naqueles terrenos.

“É uma história que lembra em tudo a venda de terrenos em Benfica ao Grupo Espírito Santo Saúde para fazer um hospital no lugar onde há um quartel de bombeiros”, comenta ao SOL o líder do grupo municipal do PSD em Lisboa, Sérgio Azevedo, que tem sérias dúvidas sobre a transparência do negócio.

“A venda do “triângulo dourado” em Alcântara hoje de manhã foi uma farsa”, ataca o social-democrata, que acusa o Executivo de António Costa de vender “um terreno para o qual sabia existir apenas um comprador”.

O PSD assegura que “desde Maio de 2013 que a Câmara de Lisboa e o Grupo José Mello Saúde estavam em contacto permanente sobre a construção de um hospital no terreno hoje vendido”. E afirma que o facto de aquele grupo económico ter feito um pedido de informação prévia sobre os terrenos de Alcântara nessa data é prova disso mesmo.

“Há fortes suspeitas, tendo em consideração o resultado de hoje, que o Grupo José Mello Saúde teve acesso a informação privilegiada ao longo deste período, o que certamente ajudou a afastar potenciais interessados no terreno”, defende Sérgio Azevedo, que recorda que o pedido de informação prévia deu entrada numa altura em que ainda não estava em vigor o Plano de Urbanização de Alcântara - o regulamento que dita como e o que se pode construir naquela zona -, que só seria aprovado em Dezembro de 2014.

De resto, o PSD-Lisboa recorda que foi já noticiado que o Departamento de Gestão de Mobilidade e Tráfego da autarquia “concluiu que a implementação do Hospital naquele terreno não é compatível com a diminuição da rede viária prevista no Plano de Urbanização de Alcântara”, pelo que “à Câmara de Lisboa, enquanto entidade de bem, só restam duas soluções: ou chumba o projecto do hospital ou altera o Plano de Urbanização de Alcântara, que foi aprovado há pouco mais de um mês”.

Câmara garante transparência

Contactado pelo SOL, o vice-presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina não esteve disponível para fazer comentários.

Uma fonte do Executivo de António Costa assegura, porém, ao SOL que “o processo foi totalmente transparente” e que o facto de existir um pedido de informação prévia feito pelo Grupo José de Mello em relação aos terrenos da Avenida 24 de Julho não prova o contrário.

“Qualquer pessoa pode fazer um pedido de informação prévia, para questionar a Câmara sobre edificabilidades possíveis, sobre qualquer terreno. E isso não lhe dá qualquer direito”, sublinha a mesma fonte, lembrando que a hasta pública desta quinta-feira “foi aprovada em Câmara e em Assembleia Municipal, em Dezembro de 2014, e divulgada na internet com prazo suficiente para que aparecessem várias propostas”.

margarida.davim@sol.pt