Internacional

Tortura sem castigo em São Tomé

Duas semanas depois da divulgação das imagens que mostram um cidadão são-tomense a ser alvo de um espancamento por parte de militares, o caso continua sem culpados. Até ao momento de nada serviram não só as provas em vídeo como a alegada confissão por parte do Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, Justino Lima, que terá assumido a sua participação no episódio perante os membros do Conselho Superior de Defesa Nacional.

A reunião de emergência deste órgão que reúne as várias instituições políticas do país revelou-se ainda assim infrutífera, tendo sido decidido agendar um novo encontro para a próxima sexta-feira, dia 30. Fonte do Governo liderado por Patrice Trovoada disse na terça-feira ao SOL que “se o Presidente da República não tomar a decisão de demitir o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMFA), terá de ser o ministro da Defesa a analisar o assunto e a tomar uma decisão”.

O Executivo da ADI, eleito por maioria absoluta nas eleições de Outubro de 2014, passa assim a iniciativa para o Presidente Manuel Pinto da Costa – que empossou Justino Lima em Fevereiro do ano passado –, embora a Constituição preveja que cabe ao Governo a decisão de demitir ou nomear um novo CEMFA.

O caso das agressões ao cidadão Abidu Nagi, que terão ocorrido em Setembro do ano passado, foi divulgado através de dois vídeos publicados no Youtube a 14 de Janeiro. As imagens, que chocam pela forma como o suspeito, deitado no solo, é espancado enquanto as suas queixas bem audíveis são ignoradas, levaram o ministro da Defesa, Carlos Stock, a denunciar “um incidente muito grave”.

Mas a sensibilidade do assunto, tratando-se da principal figura militar do país e com mais dois anos de mandato pela frente, parece arrastar a impunidade num escândalo que as redes sociais mostram estar a revoltar o povo são-tomense.

Para ver um dos vídeos clique aqui. Atenção: As imagens podem impressionar os leitores mais sensíveis.

*Esta notícia foi corrigida para esclarecer que a Constituição atribui ao Governo a função de destituir ou nomear um CEMFA. Na primeira versão atribuía-se, erradamente, ao Presidente da República.