Internacional

Dirigente do Syriza avisa em Portugal que está a chegar o "fim da austeridade"

O dirigente do Syriza Yiannis Bournous afirmou hoje no Porto que o acordo alcançado na sexta-feira no Eurogrupo pelo Governo grego liderado por aquele partido "é um sinal do início do fim da austeridade na Europa".

"Tenho boas notícias para Portugal: com a decisão do Eurogrupo, temos a morte anunciada dessa instituição não democrática que é a troika", frisou Bournous, num comício organizado pelo Bloco de Esquerda no Mercado Ferreira Borges.

"Eles sabem que mesmo uma vitória parcial do governo grego nas negociações é um sinal do início do fim da austeridade na Europa", acrescentou, notando que a reunião de sexta-feira do Eurogrupo mostrou também que "a Grécia não está isolada".

De acordo com Bournous, nas semanas que passaram desde que o Syriza venceu as eleições e formou governo, "tornou-se muito evidente que a negociação [com a 'troika' (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) e os parceiros europeus] é essencialmente, senão exclusivamente, política e não técnica". 

"Nos últimos dias, o governo de direita alemão e os seus aliados, o sr. (Pedro Passos) Coelho e o sr. (Mariano) Rajoy [primeiros-ministros de Portugal e Espanha, respectivamente] conseguiram escalar a ofensiva contra a Grécia para tentar parar qualquer gesto de tolerância e as exigências gregas", lamentou.

"Agradecemos aos nossos irmãos que, ao contrário de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque [primeiro-ministro e ministra das Finanças portugueses], expressaram a sua solidariedade e lutaram por um espaço de liberdade e democracia que vai levar-nos a uma nova Europa", vincou.

As críticas aos governos Português e Espanhol surgem um dia depois de o Eurogrupo ter chegado a acordo para o prolongamento da assistência financeira à Grécia, e de vários órgãos de comunicação social terem noticiado que as delegações espanhola e portuguesa se opunham ao compromisso.

Bournous quis mesmo deixar "uma mensagem" a Passos Coelho, dizendo-lhe: "Aprende a nadar, que a maré se vai levantar. Porque, mais cedo ou mais tarde, a liberdade vai passar por aqui".

Este não foi o primeiro momento musical da intervenção do dirigente do Syriza: no início do discurso, Bournous explicou que aquele partido foi "mandatado para acabar com a austeridade" executando políticas inspiradas na letra de uma música de Sérgio Godinho.

De seguida, num português quase perfeito, cantou: "Só há liberdade a sério quando houver paz, pão, saúde, educação. Só há liberdade a sério quando houver liberdade de mudar e decidir".

Para Bournous, a reunião de sexta-feira "foi só o fim da primeira grande batalha", mas "os ministros gregos estão hoje livres dos tecnocratas arrogantes que nos últimos anos se habitaram a dar ordens a um governo democraticamente eleito".

"Estamos confiantes e determinados em ter sucesso porque temos o apoio do povo. As sondagens pós-eleições mostram que 70% dos cidadãos apoiam as táticas de negociação e que, se as eleições fossem hoje, o Syriza atingiria os 46% de votos", sublinhou. 

O responsável explicou ainda que os quatro meses de tempo extra alcançados pela Grécia na reunião do Eurogrupo eram "um dos principais objectivos" do Governo, que neste período vai conseguir apresentar um programa para "combater a evasão fiscal" e outro para tornar o Estado mais eficiente, transparente e burocratizado".

O governo grego pretende ainda, neste período, "aplicar as primeiras medidas de baixo custo para acabar com a crise humanitária" naquele país, concluiu Bournous.

Lusa/SOL