Sociedade

Ex-gestores da Ferrostaal condenados por suborno

A justiça alemã condenou hoje dois ex-executivos da Ferrostaal a dois anos de prisão, com pena suspensa, e ao pagamento de coimas por suborno de funcionários públicos estrangeiros, na venda de submarinos a Portugal e à Grécia.

Ex-gestores da Ferrostaal condenados por suborno

o ex-administrador da ferrostaal johann-friedrich haun e o ex-procurador hans-peter muehlenbeck já se tinham dado como culpados perante o tribunal regional de munique, a troco da garantia dada pelo juiz de que a sentença não iria além da pena que foi realmente aplicada.

haun terá de pagar uma coima de 36 mil euros e muehlenbeck de 18 mil euros, anunciou o juiz do processo, joachim eckert.

o ministério público de munique acusou os dois ex-gestores da ferrostaal de terem pago 'luvas' no valor de 62 milhões de euros, entre 2000 e 2003, para conseguir vantagens sobre a concorrência e vender submersíveis a atenas e lisboa.

os antigos gestores, ambos de 73 anos, estiveram anteriormente cinco meses em prisão preventiva.

a ferrostaal, arguida no mesmo processo, reconheceu as práticas ilegais e aceitou pagar uma coima de 140 milhões de euros, que só não foi maior porque o tribunal teve em conta a actual precária situação da empresa.

a queixa-crime incidia sobretudo nas actividades de haun e muehlenbeck na grécia, no ano 2000, através de intermediários, para obter dois contratos de vendas de submarinos.

quanto a portugal, o tribunal deu como provado que haun e muehlenbeck subornaram o ex-cônsul honorário em munique juergen adolff, pagando-lhe 1,6 milhões de euros, através de um contrato de consultoria, para que o diplomata propiciasse contactos com o governo português.

no contrato, o empresário bávaro comprometeu-se a prestar «assistência orientada» no que respeita ao fornecimento de submarinos à marinha portuguesa, sustentou o ministério público de munique.

a queixa-crime foi omissa quanto a eventuais reuniões que adolff terá conseguido organizar com membros do executivo, na altura chefiado pelo atual presidente da comissão europeia, josé manuel durão barroso, e em que paulo portas era ministro da defesa.

adolff, que foi exonerado pelo governo português em março de 2010, depois de a justiça alemã ter informado lisboa, continua sob investigação em munique e poderá ser julgado por corrupção passiva.

os dois submarinos «209 pn» foram entregues à marinha portuguesa, mas em portugal há ainda um processo jurídico, relacionado com as contrapartidas que a parte alemã se comprometeu a pagar no negócio que custou 880 milhões a lisboa.

lusa/sol

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