Politica

Coligação de direita já tem nome e... é familiar

O nome da coligação entre o PSD e CDS, de Passos Coelho e Paulo Portas, é 'Portugal à Frente' e deixa desiludidos os que apostavam numa variação da AD, a Aliança Democrática de Sá Carneiro e Freitas do Amaral. Na SIC, há umas semanas, Marques Mendes tinha apostado em Acção Democrática, designação que mantinha a sigla histórica, mas  - houve quem lembrasse -, tinha uma ressonância salazarenta (por causa da Acção Nacional Popular, partido único dos últimos anos da ditadura). 

PSD e CDS deixaram afinal cair a AD, e optaram por 'Portugal à Frente, como anunciou ontem à noite em Aveiro Paulo Portas. "Os dois partidos mantêm as suas siglas, os seus emblemas e as suas identidades. Mas, há qualquer coisa que nos une acima de tudo e que é o maior objectivo que podemos ter - o interesse nacional", realçou o número dois do Governo, com Passos Coelho ao lado. 

A direita já usou um nome parecido. Foi na candidatura presidencial de Freitas do Amaral, que teve por lema "Prá Frente Portugal!". O resultado não foi auspicioso, porque o então líder do CDS perdeu por 100 mil votos as eleições presidenciais para Mário Soares. E Freitas deixaria depois de ser uma referência para o seu partido - foi aliás Paulo Portas que retirou a sua foto da galeria dos ex-líderes na sede do Caldas. Numa altura em que Freitas era ministro num governo do PS, tendo José Sócrates como primeiro-ministro.

O nome da nova coligação começa entretanto a ser alvo de comentários nas redes sociais. Lembrando as parecenças com o lema de Freitas do Amaral, o especialista em comunicação política João Villalobos ironiza com a infelicidade da associação ao passado. Freitas "perdeu. Por poucos votos, mas perdeu. Só estou a avisar e não é porque acredite no feng shui", escreve no Facebook.

Entretanto, falta saber como será construída a sigla da coligação "Portugal à Frente", ontem anunciada. Tanto a hipótese P.F. (que também abrevia a expressão 'Por Favor') como o onomatopeico P.A.F. proporcionam elementos para ataques bem-humorados da oposição na campanha das legislativas. João Villalobos, que foi assessor de Santana Lopes, limita-se a dizer que "podia fazer várias piadas" sobre o nome da aliança PSD/CDS. Acabando por não as fazer.

manuel.a.magalhaes@sol.pt