Sociedade

Eusébio é o 12º no Panteão

  

O antigo internacional António Simões foi escolhido pela família de Eusébio para fazer o elogio fúnebre do ‘Pantera Negra’ hoje à tarde. «É uma honra e um privilégio», diz ao SOL.

«É uma honra e um privilégio ter sido escolhido para falar do meu companheiro». António Simões não pôde recusar o convite da mulher de Eusébio, Flora, quando esta lhe telefonou, há algumas semanas, e lhe pediu que fizesse o elogio fúnebre do marido.

O ex-internacional português – que conheceu Eusébio ainda miúdo, no lar do Benfica – foi escolhido pela família do ‘Pantera Negra’ para discursar hoje à tarde, durante a cerimónia da transladação dos seus restos mortais para o Panteão Nacional.

«Aceitei porque antes de mais veio da Flora, que conheço há 50 anos. E depois porque é uma questão de sentimento: entenderam que sou a pessoa que melhor o conhece depois da família», diz ao SOL António Simões, que recebeu logo de seguida vários telefonemas de deputados de todos os partidos da Assembleia da República (AR), formalizando a escolha da família.

O companheiro de matinés, telefonista e conselheiro de Eusébio, a quem este chamava «irmão branco», irá discursar durante oito minutos na antiga igreja de Santa Engrácia. E, confessa, está «nervoso».

 «Quero estar à altura, sobretudo do que ele representa», diz Simões, adiantando que hoje irá destacar o voto consensual do Parlamento para a transladação de Eusébio, falará da sua esposa e evocará o ex-jogador e os tempos que partilharam no Benfica (14 anos), além das suas qualidades humanas e de cidadania. «Este é mais um dos muitos jogos que fizemos juntos e envolve muita responsabilidade», resume.

António Simões fará o discurso logo depois de se ouvir o hino nacional, que será cantado por Dulce Pontes. A cerimónia oficial no Panteão começará às 19h, com a chegada do cortejo ao Campo de Santa Clara. O Presidente da República e a presidente da AR também irão discursar, ao mesmo tempo que será projectado um vídeo com imagens do futebolista.

Rui Veloso interpretará duas músicas, uma das quais ‘Irmã África’, tema que diz ter cantado com Eusébio há cerca de 20 anos, na Ajuda, durante um jantar de amigos.

Pelas 20h, depois de assinado o termo de sepultura por Cavaco Silva, Assunção Esteves e Passos Coelho, a banda da GNR executará o hino nacional. A urna será depois transportada até à sala onde se encontra a arca tumular que lhe foi destinada, ao lado de Aquilino Ribeiro, Sophia de Mello Breyner e Humberto Delgado.

Um ‘símbolo nacional’

Eusébio é a 12.ª personalidade a receber honras de Panteão Nacional, a seguir a Sophia de Mello Breyner e Amália (a primeira mulher a entrar na galeria dos notáveis). A transladação foi aprovada pela AR a 20 de Fevereiro, por unanimidade: a resolução  destaca «o símbolo nacional, o homem solidário, o futebolista e o desportista excepcional» e evoca «o seu estatuto de verdadeiro marco na divulgação e na globalização da imagem da importância de Portugal no mundo».