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Passos não larga intervenção de Costa na banca, CDS evita tema

Pedro Passos Coelho não vai largar o assunto da alegada intervenção de António Costa junto de Isabel dos Santos para resolver o impasse no BPI. Mas no CDS o tema é para evitar. Assunção Cristas não quer falar sobre isso e fontes centristas consideram que a forma como Passos está a lidar com o assunto tem que ver com “a sua visão liberal dos mercados” que não é acompanhada pelo CDS.     

Assunção Cristas não quer falar publicamente do assunto, pelo menos não para já e em reação à notícia do Expresso que dava conta de uma reunião do primeiro-ministro com a empresária angolana filha do Presidente José Eduardo dos Santos, alegadamente para autorizar a entrada de Isabel dos Santos no capital do BCP, banco onde a Sonangol já é a principal accionista.

Mas Paulo Portas já tinha alertado para o risco de domínio espanhol da banca no Congresso do CDS em Gondomar. E no CDS não se vê com maus olhos esta aproximação de Costa a Isabel dos Santos, numa tentativa de evitar o risco de espanholização da banca portuguesa e em linha com as preocupações do Presidente da República que numa visita a Madrid não escondeu temer as consequências de um domínio espanhol sobre os bancos portugueses. “É o interesse nacional que está em perigo”, alerta-se no CDS.

Comparar Costa a Sócrates

Passos Coelho não alinha com o que no CDS se vê como uma “defesa do interesse nacional” e esta segunda-feira fez seguir uma carta para António Costa com um pedido de esclarecimento.

O líder do PSD quer saber “a que título e com base em que competência constitucional ou legal atuou o senhor primeiro-ministro” no encontro noticiado pelo Expresso.

Através de uma carta com oito perguntas enviadas pelos deputados do PSD na Comissão de Finanças da Assembleia da República,  Passos pede a Costa que confirme a notícia avançada no sábado que falava na reunião com a empresária angolana como uma forma de resolver a necessidade da saída do BFA do BPI e de uma “autorização” para que Isabel do Santos entre no capital do BCP.

"Não temos boa memória dos tempos em que os governos e os primeiros-ministros se envolviam em processos societários que não respeitam ao Estado, respeitam aos privados, e era muito importante que houvesse um cabal esclarecimento dessa matéria", dizia Passos Coelho no fim-de-semana à margem de uma vista à Feira do Folar de Valpaços.

Agora, na carta enviada, os sociais-democratas referem “as interferências do Governo socialista liderado por José Sócrates em empresas como a PT e o BCP, até em decisões de crédito dos bancos (incluindo a CGD)” que, no entender do PSD “vieram a mostrar-se extremamente lesivas para a economia nacional e para a condição das próprias empresas".

Os ataques do lado do PSD à forma como António Costa estará a gerir o dossiê da banca são duras e fazem uma comparação direta com a atuação de Sócrates como governante.

“Costa parece um novo Dono Disto Tudo. A última vez que um primeiro-ministro socialista se meteu em negócios da banca, arruinou a CGD e arrastou com Vara o BCP. O mesmo triste primeiro-ministro, depois de orquestrar negócios no Brasil e distribuir milhões a Espíritos Santos, acabou com a PT e a empresa teve de levar novos accionista para não deixar um rasto de milhares de desempregados”, escreve o antigo assessor de Passos Coelho no Governo, Rudolfo Rebelo, num post no Facebook, no qual ataca o que diz ser um “ignorante e criminoso servicinho de repartir a espanhóis e angolanos” que “mais não é do que voltar a práticas passadas, bokassianas, nada a haver com Portugal europeu”.

Segundo o Expresso, Costa terá concertado com Isabel dos Santos e o banco espanhol La Caixa para a angolana vendesse a sua participação no BPI aos espanhóis, entrando no capital do BCP.