Politica

'Andam a arranjar tachos até para as amantes'


As críticas a Alberto João Jardim e aos políticos profissionais - «que andam a arranjar tachos para a família e até para as amantes» - marcaram a entrevista do 'subversivo' madeirense José Manuel Coelho. Mas a maior parte do tempo foi passado a prestar explicações sobre as razões da sua candidatura presidencial e sobre a sua pessoa.

desta vez a entrevista começou ao contrário, com uma pergunta do candidato a judite de sousa. «porque é que a rtp nacional marginalizou a minha candidatura quando marcou estes debates?». apanhada de surpresa, a directora adjunta de informação da rtp começou por responder que essa era uma questão para «o conselho de administração» da estação. mas coelho insistia e a jornalista replicava: «não estou cá para dar explicações sobre coisa nenhuma de um assunto que me transcende». e nisto se passaram os primeiros cinco minutos.

ultrapassada esta barreira, a conversa prosseguiu acabando por ter sido a mais longa de todas até ao momento. primeiro passou pelo porquê da candidatura - «para servir o meu país, enquanto a maioria dos políticos é para se servir a si próprio», justificou o deputado e também jornalista josé manuel coelho. «e então o seu slogan é 'coelho ao poleiro'?» questionou a entrevistadora. «é um slogan satírico» explicou o candidato, que diz ter «o lema de jesus: servir e não ser servido».
 
e quando a entrevista voltou ao mesmo tema, continuou a explicar: «lembra-se do general giap, que fez a guerra da indochina? olhe, eu combato como o general giap, faço guerra subversiva, de guerrilha, e guerra convencional. a sátira na madeira é a subversiva, aqui é a convencional com a candidatura à presidência».

mas estar no continente não o fez deixar de lado a subversão, como aconteceu quando justificou a  sua candidatura «em nome do povo contra os políticos profissionais que andam a arranjar tachos para a família, para os amigos, para os que têm cartão do partido e até para as amantes».

na madeira, a sátira é feita no parlamento regional, onde coelho é deputado pelo pnd e onde já protagonizou cenas - como a da bandeira nazi ou do relógio de parede ao peito - que tiveram eco nos jornais do continente. mas muita da ironia subversiva contra o «jardinismo» passa pelo jornal o garajau, onde começou como ardina, agora dirige e é uma das maiores dores de cabeça políticas do líder do governo regional da madeira.

alás, como seria de esperar, o «tiranete alberto joão jardim e os corruptos todos que andam à volta dele» foi ponto forte da conversa. «tem um ódio de estimação contra jardim?» perguntou várias vezes judite de sousa. «não tenho aversão à pessoa, combato as ideias» alegava o candidato.

antigo militante do pcp, josé manuel coelho afastou-se do partido porque é «um comunista que evoluiu, não cristalizou». saiu porque considera que o «projecto comunista falhou», o que não o impede de afirmar que continua a «ser um socialista, mas não de uma forma estalinista». e é «sério» passar do pcp para um partido de direita?

«o pnd na madeira não é de direita» assegurou o deputado regional, explicando que é diferente do partido no continente. estava vazio, «uma colmeia sem abelhas e nós fomos as abelhas» esclareceu. diz coelho que o pnd não passou de uma «barriga de aluguer» para o projecto e com a condição, garante, «de não haver ali coisas de direita».

a actualidade acabou por chegar com o caso bpn, em que «cavaco sai chamuscado e tem um aliado no engenheiro sócrates, que já gastou 5 mil milhões de euros enquanto vai às crianças e corta o abono, congela os salários dos funcionários públicos e baixa os apoios sociais dos idosos».

a próxima e última entrevista aos candidatos presidenciais será a aníbal cavaco silva. inicialmente estava prevista para hoje, mas terá lugar na próxima segunda-feira.

teresa.oliveira@sol.pt