Cultura

Exposição em São Carlos evoca Verdi, Wagner, Almada e Bensaúde

A exposição "Noites em S. Carlos", que é inaugurada na quinta-feira no teatro lírico lisboeta, apresenta obras do artista plástico Luís Vieira Baptista, criadas propositadamente como elementos identificativos dos núcleos dedicados a Verdi, Wagner, Almada e Bensaúde.

em comunicado, o teatro nacional de s. carlos (tnsc) afirma que a exposição, que estará patente até 23 de dezembro, celebra o duplo centenário dos nascimentos de giuseppe verdi e richard wagner, os 120 anos do nascimento de josé de almada negreiros, os 150 anos do nascimento do barítono maurício bensaúde e "a carreira do tenor antónio de andrade".

a exposição, que integra elementos cenográficos, peças de guarda-roupa, documentação fotográfica, maquetas, recortes de imprensa e outros componentes de diversos acervos históricos, possibilita aos visitantes "conhecer os diversos espaços do tnsc, [como o] palco e os bastidores".

"o conjunto de memórias e materiais que integram a mostra foi seleccionado e disposto em função do objectivo principal de evocar as noites de ópera deste teatro e alguns dos protagonistas - cantores, compositores, cenógrafos, figurinistas, maestros - que passaram pelo são carlos desde a sua criação, com especial destaque para os portugueses", afirma o teatro lisboeta.

o átrio do teatro acolhe o núcleo almada negreiros, artista plástico que, neste palco, apresentou o bailado "a princesa dos sapatos de ferro", em 1915.

em 1965, almada desenhou os figurinos e criou os trajos para a companhia amélia rey colaço/robles monteiro, que levou à cena no teatro o "auto da alma", de gil vicente. o artista plástico, ensaísta e poeta, criou, ainda, os cenários das óperas "inês de castro" e "crisfal", ambas em 1943, de ruy coelho.

no palco está instalado o núcleo giuseppe verdi exibindo-se o guarda-roupa e cenários das produções de 1975, 1979 e 1986, da ópera "rigoletto", composta pelo compositor italiano em 1851. apresentam-se os figurinos de "gilda" e do "duque de mântua", produções com encenação de gino bechi.

neste núcleo "avivam-se as memórias e relembram-se [os cantores] alfredo kraus, fernando teixeira, piero cappucilli, renato bruson, elvira ferreira, ileana cotrubas, elisete bayan e carlos fonseca", lê-se no mesmo comunicado.

o núcleo maurício bensaúde, barítono açoriano que nasceu em ponta delgada em 1863 e que foi administrador do tnsc, tendo falecido em 1912, está colocado na coxia direita dos bastidores do palco.

bensaúde, escreve o tnsc, foi "um dos mais importantes cantores portugueses, que se apresentou nos principais palcos espanhóis, italianos, franceses, australianos, brasileiros, canadianos, austríacos e, principalmente, norte-americanos, entre muitos outros".

"giacomo puccini escolheu-o mesmo para que fosse ele o 'marcello' na estreia de 'la bohème' no teatro de la opera, em buenos aires".

"o espólio apresentado é fundamentalmente constituído por fotografias e recortes de imprensa, devido ao facto de ter falecido ainda jovem [aos 49 anos], deixando poucos registos da sua actividade lírica, também assinalada nos palcos do são carlos", esclarece o teatro.

o núcleo antónio de andrade está instalado na coxia esquerda dos bastidores do palco e "recupera factos da vida do tenor português, nascido em lisboa, em 1854, e falecido em 1942, irmão do barítono francisco de andrade, ambos contemporâneos de bensaúde".

a mostra encerra com o núcleo richard wagner no salão nobre, onde estão montadas cenas de "a valquíria", "parsifal" e "siegfried", em diversas produções apresentadas no tnsc.

a exposição inclui ainda dois outros núcleos, um dedicado aos "camarins de palco" e outro ao coro do teatro.

o núcleo camarins de palco está instalado nos bastidores e "permite ao visitante conhecer os espaços ainda actualmente ocupados pelos cantores durante as óperas e concertos que o tnsc apresenta e, simultaneamente, recuperar a memória de apresentações passadas, com o apoio de trajes de cena e adereços ali colocados para o efeito", segundo o mesmo comunicado.

o núcleo dedicado ao coro do teatro nacional de são carlos, apresenta o guarda-roupa utilizado pelos seus elementos e uma fotografia tirada no átrio "para a divulgação da digressão do coro a oviedo, [em espanha], onde se deslocou a convite do teatro campoamor, em 1965".

o teatro espera que esta exposição "reedite o sucesso da mostra apresentada no ano passado, em que, durante o mês de agosto, [se somaram] cerca de 8.000 os visitantes".

lusa/sol