o que pilar, que acompanhou cada momento dos últimos 24 anos da vida de saramago, quis dizer com esta frase – descobri-lo-iamos no decorrer do filme – foi que o escritor teve até ao fim dos seus dias uma vida agitada, escreveu até ao fim, fez viagens constantes e assinou livros durante horas a fio porque valorizava o trabalho, as pessoas e a vida.
vestida de negro, elegante e segura, pilar discursou sem que por um momento a emoção lhe toldasse a voz e agradeceu ao realizador pelo filme que é um «testemunho de um dos maiores escritores do século xx».perante os espectadores ficou o testemunho da fortaleza que é a mulher que protegeu o escritor até ao final dos seus dias.
o que o trabalho do realizador miguel gonçalves mendes nos permite é espreitar para dentro da casa do casal e acompanhar o processo criativo do último livro do escritor – a viagem do elefante.
miguel mendes foi o primeiro a discursar antes que as luzes do são jorge se apagassem para dar início ao filme e disse – em tom de brincadeira – que o seu objectivo é que os «quatro anos de desespero» que passou a seguir os passos do casal contribuam para «pôr fim à imagem idiota que foi criada sobre o josé».
a verdade é que o saramago que nos encontra no ecrã não parece ser um herege, antipático e soturno. o homem que se nos apresenta por entre bocados da sua vida é uma pessoa com um sentido de humor apurado, um ser humano lúcido, um homem apaixonado por pilar até à devoção.
o filme, mais que um testemunho da vida do nobel português, é um tributo à vida. é como bem descreveu o presidente da câmara de lisboa, que foi o último a discursar antes de o documentário começar, «uma belíssima história de amor».
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sol
