isto porque, na prática, ficaram a saber dos cortes através do sistema integrado de gestão. algumas rubricas estavam a zero e outras «apenas com alguns euros que nem chegam para pagar a conta da luz e da água em dezembro», como explicou ao sol fonte militar.
em causa, estão todas as despesas correntes para a manutenção dos quartéis, desde papel a combustíveis. cada vez que é preciso comprar algum destes bens, os ramos fazem um pedido de libertação de crédito. mas a torneira aparentemente fechou.
orçamento esgotado
na origem da decisão radical de santos silva está a contenção para 2010 e a suborçamentação dos ramos, ou seja, nesta altura do ano o orçamento já foi esgotado e isso está a pôr em causa o próprio pagamento de salários. o que acontece quase todos os anos é os ramos gastarem a verba total e depois, à última hora, pedirem mais dinheiro para pagar os salários de dezembro porque sabem que, na prática, o governo acaba sempre por garantir o pagamento dos ordenados. desta vez, contudo, o ministro não parece estar pelos ajustes.
de facto, o ministério da defesa está em negociações com o ministério das finanças para garantir um reforço das verbas e pagar os salários de dezembro (os ordenados de novembro e o subsídio de natal já foram processados sem problemas). mas não o está a fazer sem custos para os ramos, e daí a decisão inédita de cortar as despesas correntes, como forma de aviso aos ramos para que não se repita a suborçamentação deste ano.
«isto é absolutamente incrível», comentou ao sol o presidente da associação nacional de sargentos (ans), antónio lima coelho.
