a cais – uma associação de solidariedade social sem fins lucrativos – montou uma grande tenda branca, lá dentro colocou fornos de pão, mesas, cadeiras, um palco e pessoas com vontade de ajudar.
cerca de 300 voluntários, a que o director da cais, henrique pinto, chama de «bombeiros de branco», abdicaram de passar estes dias chuvosos no conforto do lar e, literalmente, meteram as mãos na massa. amassaram e cozeram milhares de pães, entregaram-nos na rua a quem passava, varreram uma tenda de 500 metros como se fosse a sua casa e formaram uma família que anualmente se encontra com o propósito de dar.
antecipando o ano europeu do voluntariado e da cidadania a cais deu o mote com o tema «mãos à obra. porque todos somos precisos» e vários artistas portugueses responderam à chamada.
pelo pequeno palco do pão de todos passaram nomes conhecidos como laurent filipe, os uhf, o novo projecto zeca sempre que integra nuno guerreiro (ala dos namorados), olavo bilac (santos e pecadores) e tó zé santos (per7ume) e a fechar os fados de antónio pinto basto.
uma voluntária de 74 anos disse ao sol que «não, não preferia estar em casa» porque sentia que depois de uma vida inteira a trabalhar para si, estava na altura de se dar aos outros.
entre os mais jovens o sentimento é o de que o mais importante é dar o mais precioso que se tem, «tempo e atenção». garantem que se trata de uma «óptima forma de ganhar energias para o resto do ano».
henrique silva contou que o pão foi o pretexto para que durante esses quatro dias aquela praça «renegada» de lisboa acolhesse novos e velhos, conhecidos e desconhecidos, pobres ou nem tanto assim, que sentados na mesma mesa conversaram e desfrutaram de espectáculos de música, dança, cinema e circo.
sol
