É só ler e comparar

45% dos portugueses, entre os quais me incluo, não sabem ainda em quem votar a 5 de Junho.

pareciam adolescentes difíceis, já com poder de argumentação, a digladiarem-se num tapete de luta greco-romana – com a única limitação de ser proibido o contacto físico.

são os dois inteligentes, e seria suposto que já tivessem percebido que o barco tem um forte rombo no casco. e que não temos orquestra para continuar a tocar até que as águas tépidas do atlântico nos engulam suavemente.

«vemos, ouvimos e lemos – como escreveu sophia de melo breyner – não podemos ignorar».

cada povo tem o governo que merece e os líderes que deixa emergir.

os nossos são ainda embriões de líderes – e 45% dos portugueses, nos quais me incluo, não sabem em quem votar no dia 5 de junho.

na segunda-feira à noite, num dos debates entre candidatos a primeiro–ministro, suas excelências, olhando sobretudo para os próprios umbigos, guerreavam como se estivessem no pátio da escola: «não brinco contigo e já disse aos meus amigos para também não brincarem».

como o jogo é colectivo, com cada um nas suas tamanquinhas, não teremos de cada vez mais do que dois campinos a tentar dançar o fandango.

dada a situação em que portugal se encontra, dada a grande apatia em que o povo português se encontra, dada a falta de sentido de estado de todos os líderes partidários, não podemos augurar nada de bom daqui por três semanas.

quem não tem cão caça com gato – é o chapéu de chuva sob o qual se abriga esta crónica há mais de dois anos.

sabem porquê? porque não quero esquecer nunca que, quando se fecha uma porta, há sempre uma janela, mesmo que estreita, por onde o ar pode entrar.

se não formos capazes de deixar aos nossos filhos e netos um estado social sustentável, um salário justo a quem trabalha, uma retribuição empenhada a quem o paga justamente, um planeta onde seja possível viver com outros modelos de organização, outros líderes e outra justiça, então falhámos.

não há democracia sustentável sem justiça credível.

a nossa democracia fez um batido de justiça e política que se tornou completamente indigesto.

respigando os programas disponíveis dos partidos concorrentes às próximas eleições, procurei o que preconizavam para a área do ambiente.

uns, generalidades balofas que, de tão gastas, já não dizem nada a nenhum de nós; mas outro escreve algumas coisas consistentes, essenciais e sobretudo exequíveis, para que seja possível respirar nesta terra daqui por cem anos:

– um território sustentável: resolver os problemas ambientais de primeira geração (água, saneamento, resíduos e contaminação de solos);

– implementar a nova geração de políticas ambientais europeias (assentes na internalização dos custos ambientais na economia);

– desenvolver uma nova carteira de actividades económicas baseadas nas eco-inovações e nas tecnologias limpas.

depois, estes três pontos são subdivididos em medidas concretas e perceptíveis pelo eleitor comum.

procurem e encontrarão – não custa nada… um magalhães ligado à internet, motor de busca, nome de cada um dos partidos à vez, programa eleitoral, área do ambiente, e depois é só ler e comparar.

dos que já estão disponíveis e do ponto de vista de uma quase leiga que teima em respirar, este senhor/senhora sabe mesmo o que diz – e é capaz de, num colectivo com o mesmo nível, fazer executar o que propõe.

catalinapestana@gmail.com