DJ lesionado

Imagine-se um jogo da Selecção em que um jogador se magoa. Se não tiverem sido feitas as três substituições, entra outro craque para o lugar do lesionado. Noutra profissão qualquer, dita normal, passa-se o mesmo.

Quando alguém adoece há um colega que vai ocupar o seu lugar. Mas há profissões onde é muito difícil arranjar alternativas. No caso da noite, um dos elementos que pode ser muito problemático render é o DJ. Até porque pode não haver nenhum na casa e mesmo que exista não terá o computador com as suas músicas. Hoje em dia são poucos os artistas dos pratos que não actuam levando o computador onde têm as músicas preferidas para fazer o seu set, ou actuação para os menos dados a estas linguagens.

Há dias assisti a um fenómeno verdadeiramente insólito. Um DJ que tinha sido contratado para passar músicas que não molham nem secam, as ditas comerciais com um cheiro a revivalismo, decidiu – enquanto dava um triste espectáculo de coreografia – começar a passar músicas sem nexo. O barulho era ensurdecedor e nenhuma faixa começava e acabava onde devia. Os clientes que estavam naquela zona e que gostam das tais ‘malhas’ pop / comerciais, primeiro estranharam. Depois começaram a ficar parados a observar o DJ que tinha virado contorcionista. Perfeitamente alheado do que se passava à sua volta, o artista dos pratos continuou num jogo só seu, conseguindo esvaziar a pista.

O seu comportamento fez com que muitos tenham ido para casa muito mais cedo a dizerem mal da vida. Afinal, tinham ido à discoteca para ouvir as suas músicas e acabaram a ver um número circense. Não foi para isso que pagaram bilhete…

P.S. Nessa mesma noite passou-se uma cena lamentável de pancadaria no exterior da discoteca e os polícias que estavam nas proximidades só apareceram quando os seguranças foram em socorro do homem que estava a ser agredido brutalmente por três indivíduos. Os polícias fogem das confusões, pois para terminarem com uma cena daquelas teriam que usar da força. E, se assim fosse, o que não se diria do seu comportamento… l

vitor.rainho@sol.pt